Operação Red Fox

PF prende no Suriname fornecedor de armas do Comando Vermelho que movimentou R$ 150 milhões

Alvo principal foi extraditado após ser localizado em mansão; Justiça Federal bloqueou R$ 500 milhões em bens e mirou chefões da facção

Nove investigados permanecem foragidos, incluindo líderes do esquema, enquanto a PF intensifica as buscas para desmantelar a organização - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 22/06/2026, às 09h06

Uma ação conjunta entre as forças de segurança brasileiras e internacionais resultou na captura de um dos principais articuladores do tráfico internacional de armas para o Comando Vermelho (CV). Deflagrada neste fim de semana pela Polícia Federal, a Operação Red Fox cumpriu mandados de prisão e mirou uma estrutura financeira que movimentou mais de R$ 150 milhões no esquema de abastecimento bélico da facção fluminense.

O principal alvo da ofensiva é Arnaldo Ribeiro, apontado como fornecedor direto de armamentos de grosso calibre para a cúpula da organização criminosa. Ele e a esposa, Denise Mendonça — identificada como operadora logística e financeira do grupo —, foram localizados pela polícia local em uma mansão em Paramaribo, capital do Suriname. Após os trâmites de extradição, o casal recebeu voz de prisão formal dos agentes federais assim que desembarcou no aeroporto de Belém (PA).

As investigações da Superintendência da PF no Rio de Janeiro e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco/MPF) revelaram que Arnaldo negociava diretamente com Edgard Alves Andrade, conhecido como "Doca", um dos chefões do CV. Entre as transações mapeadas, estava a compra recente de um lote com 10 fuzis AK-47 destinados às frentes da facção.

Rastreamento financeiro e prisões

Além das capturas no exterior, a 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de R$ 500 milhões em bens dos investigados, além da suspensão imediata das atividades de diversas empresas de fachada usadas para lavar o dinheiro do crime.

Outros dois suspeitos foram detidos em solo nacional:

Logística dos fuzis e suspeitos foragidos

O monitoramento detalhou como o bando operava os pagamentos. Silvio Andrade Costa, o "Barriga", enviou a Doca a imagem do cartão bancário e uma chave Pix pertencentes a Arnaldo. Com os dados em mãos, Doca ordenou que Rosemberg da Silva Medeiros Gomes, o "Berg" — apontado como o tesoureiro do esquema —, realizasse depósitos fracionados que somaram R$ 150 mil para quitar a aquisição das armas.

Ao todo, os agentes saíram para cumprir 13 mandados de prisão. Nove investigados não foram localizados e são considerados foragidos da Justiça, incluindo os próprios Doca, Berg e Barriga. A Polícia Federal segue com as buscas para desmantelar o restante da ala liderada por Doca no Rio de Janeiro.

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