Empresa investigada teria recomendado investimentos de previdências municipais, incluindo aporte de R$ 7 milhões em cidade do interior de São Paulo
Redação Publicado em 27/04/2026, às 10h01
A Polícia Federal intensificou as investigações sobre a atuação de uma consultoria financeira suspeita de orientar aplicações milionárias de institutos de previdência municipais no Banco Master, no centro de um escândalo bilionário.
A empresa Crédito e Mercado, que tem entre seus sócios o advogado Cecílio Galvão — também citado na chamada “farra do INSS” —, está na mira dos investigadores por supostamente indicar investimentos considerados de alto risco a gestores públicos.
Um dos casos apurados envolve o Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio da Posse, que aplicou cerca de R$ 7 milhões em produtos financeiros ligados ao banco. A operação levou a Justiça Federal a autorizar mandados de busca e apreensão contra integrantes do órgão, sob suspeita de “gestão temerária” dos recursos previdenciários.
De acordo com a investigação, a consultoria mantinha contratos com diversos municípios em diferentes estados, com destaque para cidades paulistas. Documentos indicam que as recomendações de investimento teriam direcionado recursos públicos para ativos relacionados ao Banco Master, ampliando a exposição ao risco financeiro.
A empresa afirma que as decisões finais cabem exclusivamente aos gestores dos regimes próprios de previdência (RPPS), que possuem autonomia legal para definir onde aplicar os recursos. Apesar disso, a atuação da consultoria segue sob análise, e novos documentos apreendidos devem ajudar a esclarecer o grau de influência nas decisões.
Outro ponto investigado envolve o empresário Renan Calamia, citado em apurações relacionadas a outros municípios paulistas. Segundo a PF, há indícios de decisões consideradas “audaciosas” na gestão de investimentos, que podem ter colocado em risco a saúde financeira dos fundos previdenciários.
As investigações também apontam conexões com fundos de investimento ligados ao setor funerário e a empreendimentos imobiliários que, segundo relatórios, apresentavam baixa transparência e alto risco.
O caso se insere em um cenário mais amplo de apuração sobre a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e de possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos aplicados por fundos previdenciários municipais.
Até o momento, não há conclusão definitiva sobre eventuais responsabilidades criminais. A apuração segue em andamento.