PF investiga esquema de tráfico internacional de metanfetamina em São Paulo ligado a cartel mexicano

Grupo investigado na Operação Sinaloa usava laranjas na capital paulista para receber a droga e redistribuir em todo território nacional

Mandados foram cumpridos em endereços de São Paulo ligados ao esquema de importação e distribuição da droga - Imagem: Reprodução | Polícia Federal

Lívia Gennari Publicado em 20/05/2025, às 17h14

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), a Operação Sinaloa, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de metanfetamina. A ação teve como alvo principal cidade de São Paulo, onde foram cumpridos cinco dos seis mandados de busca e apreensão e três dos quatro mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal. Um dos mandados de busca também foi executado em Niterói, no estado carioca. 

De acordo com informações da PF, a droga era trazida do México ao Brasil, mais precisamente do cartel de Sinaloa, uma das maiores e mais violentas organizações de tráfico de drogas do mundo. A metanfetamina era enviada por meio de encomendas postais internacionais e chegava em território brasileiro entre cargas comuns. A capital paulista funcionava como ponto central para o recebimento, armazenamento e distribuição do entorpecente.

A investigação

A PF revelou que a investigação teve início em 18 de fevereiro deste ano, quando duas pessoas foram presas após a Homeland Security Investigations (HSI) (agência norte-americana de segurança interna), compartilhar informações sobre remessas suspeitas que passaram pelo território dos Estados Unidos em novembro de 2024, com destino a São Paulo. O alerta levou à identificação dos primeiros envolvidos e, a partir daí, a polícia aprofundou as apurações, chegando aos alvos da operação deflagrada nesta terça.

De acordo com os investigadores, os criminosos utilizavam “laranjas” para receber os pacotes com a droga, que eram enviados em nome de terceiros, dificultando a identificação dos responsáveis. Essas pessoas atuavam como receptadores e armazenadores, escondendo os entorpecentes até que pudessem ser distribuídos. A parte da quadrilha que cuidava da operação organizava toda a logística, desde o recebimento da droga do exterior até o envio para outros estados do Brasil.

Agentes da PF destacaram que o grupo criminoso era bastante organizado, com funções bem divididas e faziam um uso estratégico dos serviços de correio para tentar escapar da fiscalização. A escolha de São Paulo como base do esquema, reforça o papel da cidade como ponto-chave na logística do tráfico em grande escala, por concentrar uma ampla rede de distribuição e fácil acesso a diversas regiões do país.

Os investigados responderão pelos crimes de tráfico transnacional de drogas e organização criminosa, cujas penas podem ultrapassar 25 anos de prisão. As investigações continuam com o objetivo de identificar outros integrantes da quadrilha e demais conexões internacionais ainda não mapeadas.

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