Operação da Polícia Federal apura possível gestão temerária de recursos previdenciários de servidores de Cajamar aplicados em bancos privados.
Redação Publicado em 13/05/2026, às 11h18
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira uma operação para investigar aplicações milionárias feitas com recursos da aposentadoria de servidores públicos de Cajamar, na Grande São Paulo, envolvendo o Banco Master.
Segundo os investigadores, aproximadamente R$ 87 milhões do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC) foram direcionados ao Banco Master entre outubro de 2023 e março de 2024.
Ao todo, cerca de R$ 107 milhões teriam sido investidos em quatro Letras Financeiras emitidas por bancos privados.
A operação, batizada de Off-Balance, mira possíveis irregularidades na gestão dos recursos previdenciários e suspeitas de exposição excessiva ao risco com dinheiro destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores municipais.
De acordo com a PF, os documentos analisados apontam que as aplicações foram autorizadas pelos então dirigentes do instituto previdenciário: Luiz Henrique Miranda Teixeira, diretor-executivo; Milton Marques Dias, diretor administrativo e financeiro; e Marcelo Ribas de Oliveira, diretor de benefícios.
Nesta quarta-feira, agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Cajamar, Boituva e São Paulo.
A Justiça Federal também autorizou medidas cautelares, incluindo afastamento de função pública e indisponibilidade de bens.
Os mandados foram expedidos pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
A investigação busca esclarecer se houve descumprimento das normas que regulam investimentos de institutos previdenciários municipais, além de possível negligência técnica na análise de segurança financeira das aplicações.
O caso acontece em meio ao avanço de outras investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Recentemente, a PF também realizou nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, envolvendo suspeitas de pagamentos ao senador Ciro Nogueira. O parlamentar nega qualquer irregularidade.
Embora os investimentos tenham ocorrido durante a gestão do então prefeito Danilo Joan, atual vice-presidente estadual do PP em São Paulo, ele não é alvo da operação.
Em nota enviada anteriormente à imprensa, o IPSSC afirmou que todos os investimentos seguiram critérios técnicos e legais vigentes à época das aplicações.
Já o ex-diretor Milton Marques Dias declarou que prestou todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.
Agora, a Polícia Federal tenta identificar se houve influência política, falhas de governança ou decisões incompatíveis com a proteção do patrimônio previdenciário dos servidores públicos.