Mandados de busca miram gestores suspeitos de conduzir investimentos de alto risco com recursos públicos; operação apura possível gestão temerária
Letícia Sales Publicado em 23/04/2026, às 09h49
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23), uma operação para investigar o destino de aproximadamente R$ 13 milhões da previdência social do município de Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como afastamento de funções públicas e bloqueio de bens.
Segundo as investigações, os recursos foram aplicados em Letras Financeiras emitidas pelos bancos Daycoval e Master, com intermediação da Genial Investimentos. As operações ocorreram em três momentos: R$ 6 milhões em outubro de 2023, R$ 5 milhões em abril de 2024 e outros R$ 2 milhões em maio do mesmo ano, todos com vencimentos de longo prazo, chegando até 2034.
A apuração, batizada de Operação Moral Hazard, teve início após indícios de irregularidades na condução dos investimentos, classificados como possível “gestão temerária” do Instituto de Previdência Municipal. De acordo com a Polícia Federal, o processo decisório contou com participação “ativa e determinante” de dirigentes do órgão.
Entre os investigados estão o então diretor-presidente e gestor de recursos, Hortêncio Lala Neto, apontado como responsável por propor as autorizações de aplicação e resgate, e a supervisora de gestão Marlene Maria Vieira Bassani. Também são alvos integrantes do Comitê de Investimentos, que teriam participado das decisões que resultaram nas aplicações.
As medidas judiciais foram autorizadas pela 9ª Vara Federal de Campinas e também atingem endereços em Mogi Mirim.
As suspeitas sobre os investimentos já haviam sido levantadas anteriormente. Em 2024, o Ministério Público de Contas alertou Santo Antônio de Posse e outros municípios paulistas sobre possíveis riscos envolvendo aplicações em instituições financeiras com histórico controverso. À época, o órgão destacou preocupação com a reputação e a solidez patrimonial do Banco Master.
“Criou-se um cenário de preocupação não apenas sobre exposição do risco reputacional de tal instituição financeira, mas, mais preocupante, sobre sua própria solidez patrimonial”, afirmou o MPC.
O caso também se conecta a investigações mais amplas envolvendo o Banco Master. O proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, foi alvo de operações anteriores da Polícia Federal que apuram supostas fraudes bilionárias no mercado financeiro. Em uma das fases, foram bloqueados cerca de R$ 12 bilhões, e o esquema investigado pode ter causado prejuízos estimados em R$ 40 bilhões.
Atualmente, Vorcaro está preso preventivamente em Brasília, após nova ordem judicial expedida em março de 2026.
A reportagem procurou a defesa dos investigados, bem como a Prefeitura de Santo Antônio de Posse e o Instituto de Previdência do município. Até o momento, não houve manifestação. O espaço segue aberto para posicionamentos.