Investigação aponta que grupo movimentou R$ 39 milhões com apoio de empresas para ocultar a origem do dinheiro
Erika Osti Publicado em 21/01/2026, às 14h13
Uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta quarta-feira (21), mirou um esquema milionário de lavagem de dinheiro que usava criptomoedas, transferências bancárias e dinheiro em espécie para ocultar a origem de recursos ilícitos. Batizada de Operação Narco Azimut, a ação cumpriu mandados judiciais em três estados e busca desarticular uma quadrilha suspeita de movimentar mais de R$ 39 milhões por meio de um complexo sistema financeiro destinado a dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Por determinação da 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, foram autorizados sete mandados de prisão temporária, além de ordens de busca e apreensão em endereços localizados em cidades do estado de São Paulo, como Santos, Ferraz de Vasconcelos, São Bernardo do Campo e São José dos Campos. E também em Goiânia, em Goiás, e Armação de Búzios, no Rio de Janeiro.
A investigação é um desdobramento da Operação Narco Bet, deflagrada em outubro do ano passado, que apurou a lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas e teve como um dos alvos o influenciador digital Buzeira. A partir daquele inquérito, os investigadores identificaram uma estrutura criminosa mais ampla, com atuação interestadual e uso intensivo de ativos digitais para esconder a origem dos valores.
Segundo a Polícia Federal, os suspeitos agiam de forma coordenada para movimentar grandes quantias por diferentes meios, incluindo dinheiro vivo, transferências bancárias tradicionais e criptomoedas, algumas delas negociadas em plataformas no exterior. O inquérito aponta que, ao longo do esquema, foram movimentados mais de R$ 15,5 milhões em espécie, cerca de R$ 8,7 milhões por meio de transferências bancárias e aproximadamente R$ 15,4 milhões em criptomoedas. O objetivo era fragmentar os valores e dar aparência de legalidade aos recursos, estratégia que contou com o apoio de empresas e de terceiros usados como intermediários.
Além das prisões, a Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens dos investigados, incluindo veículos, ativos financeiros e imóveis adquiridos com recursos suspeitos. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos e dinheiro em espécie, que agora passam por análise detalhada.
De acordo com a PF, os envolvidos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As investigações continuam para identificar outros participantes do esquema e rastrear novas movimentações financeiras.