Investigação revelou que os assassinatos ocorreram em represália às atividades de fiscalização ambiental realizadas por Bruno na região
William Oliveira Publicado em 04/11/2024, às 11h33
A Polícia Federal (PF) finalizou, na última sexta-feira (1º), o inquérito que investigava os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorridos em 5 de junho de 2022, nas proximidades da Terra Indígena Vale do Javari, localizada em Atalaia do Norte, Amazonas. A divulgação oficial foi realizada nesta segunda-feira (4). Após dois anos de investigação minuciosa, a PF solicitou o indiciamento de nove indivíduos, entre eles Rubén Dario da Silva Villar, conhecido pelo apelido "Colômbia".
Conforme comunicado emitido pela Polícia Federal, "Colômbia" foi identificado no relatório final como o mandante dos homicídios. Ele é acusado de ter fornecido munição para o crime, financiado as operações da organização criminosa e coordenado os esforços para ocultar os corpos das vítimas. Os outros envolvidos desempenharam papéis diretos na execução dos assassinatos e na ocultação dos restos mortais.
O inquérito revelou que os assassinatos ocorreram em represália às atividades de fiscalização ambiental realizadas por Bruno Pereira na região. A vítima era conhecida por sua defesa ativa dos direitos indígenas e pela preservação ambiental.
O relatório já foi encaminhado à Justiça e destaca a atuação de uma rede criminosa organizada na região de Atalaia do Norte/AM, com ligações ao comércio ilegal de pesca e caça. As atividades deste grupo não apenas causaram danos socioambientais significativos, mas também representaram ameaças constantes aos agentes de proteção ambiental e às comunidades indígenas locais. O líder do grupo foi identificado no documento final da PF e encontra-se detido.
Adicionalmente, a Polícia Federal informou que continua vigilante em relação aos riscos enfrentados pelos habitantes do Vale do Javari e prossegue com investigações sobre ameaças dirigidas aos indígenas residentes na área.
Relembre o crime
Bruno Pereira e Dom Phillips foram vistos pela última vez em 5 de junho de 2022, enquanto viajavam em uma embarcação rumo a Atalaia do Norte. Os restos mortais das vítimas foram descobertos dez dias depois, em 15 de junho, após a confissão de envolvimento feita por Amarildo da Costa Oliveira.
De acordo com o laudo pericial, as vítimas foram alvejadas por disparos de arma de fogo, esquartejadas, queimadas e, posteriormente, enterradas.