Ação ocorreu no interior de São Paulo e no Mato Grosso do Sul; mercado clandestino de vapes movimenta cerca de R$ 5,8 milhões por dia no estado
Letícia Sales Publicado em 12/03/2026, às 13h38
A Polícia Federal (PF) apreendeu uma grande quantidade de cigarros eletrônicos durante uma operação realizada na manhã desta quinta-feira (12) para combater o comércio ilegal dos dispositivos. A ação ocorreu nas cidades de Santa Fé do Sul e Paranaíba.
Batizada de Operação Hit II, a iniciativa cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em estabelecimentos suspeitos de comercializar os chamados “vapes”, cuja venda é proibida no Brasil.
De acordo com as investigações, um comerciante de Santa Fé do Sul, que já havia sido alvo da primeira fase da operação, voltou a vender cigarros eletrônicos e acessórios, descumprindo normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe a comercialização desses produtos no país.
As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal de São José do Rio Preto. Os responsáveis pelos estabelecimentos investigados poderão responder pelo crime de contrabando.
Todo o material apreendido foi encaminhado para a sede da Polícia Federal em Jales, unidade responsável pela continuidade das investigações. A operação segue em andamento.
Mercado clandestino em crescimento
Apesar da proibição no Brasil, o consumo e a comercialização de cigarros eletrônicos continuam em expansão. Segundo levantamento da Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo (ESEM-USP), o mercado ilegal de vapes movimenta cerca de R$ 5,8 milhões por dia apenas no estado de São Paulo.
A pesquisa indica que quase um milhão de pessoas consumiram cigarros eletrônicos no país em setembro do ano passado. O estudo foi realizado com uma amostra de 3 mil entrevistados, que responderam a questionários sobre frequência de compra, percepção de ilegalidade, motivações para o uso e formas de aquisição dos produtos.
Para o coordenador da pesquisa, Leandro Piquet, especialista em segurança pública e mercados ilícitos, a proibição não elimina a circulação desses produtos.
Segundo ele, o modelo atual acaba transferindo o controle do mercado para organizações criminosas, que encontram nos cigarros eletrônicos uma fonte lucrativa de financiamento.