Documentos da Operação Compliance Zero, tornados públicos por decisão do ministro André Mendonça, indicam que o empresário Daniel Vorcaro teria articulado uma ação para atingir Ronald Seikaly, ex-atleta do Miami Heat e ex-marido de Martha Graeff. Investigação cita investimento de até R$ 10 milhões e monitoramento internacional do alvo.
Ana Beatriz Publicado em 17/06/2026, às 15h49
A Polícia Federal revelou detalhes de um suposto plano elaborado pelo empresário Daniel Vorcaro para incriminar o ex-jogador da NBA e atual DJ Ronald Fred Seikaly por meio de um falso flagrante envolvendo drogas. As informações constam em documentos da Operação Compliance Zero que tiveram o sigilo retirado nesta terça-feira, 16, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
De acordo com a investigação, o alvo da ação seria Ronald Seikaly, ex-pivô da NBA que atuou por equipes como o Miami Heat e o Golden State Warriors nas décadas de 1980 e 1990. Atualmente, ele vive entre os Estados Unidos e outros países, dedicando-se à carreira de DJ internacional.
Segundo a PF, Vorcaro teria discutido com integrantes de um grupo investigado, identificado nos autos como “A Turma”, diferentes formas de prejudicar a imagem do ex-atleta. A motivação apontada pelos investigadores seria um suposto desentendimento envolvendo Seikaly e um dos filhos de Vorcaro. Os documentos não detalham as circunstâncias desse episódio.
As conversas interceptadas pelos investigadores indicam que uma das estratégias analisadas consistia na criação de um falso flagrante de drogas contra o ex-jogador. Conforme a apuração da PF, Vorcaro teria mencionado a possibilidade de investir até R$ 10 milhões para viabilizar a operação. O plano previa a contratação de uma pessoa em Miami, cidade onde Seikaly reside, para simular uma situação que pudesse resultar em sua detenção e desgaste público.
A investigação aponta ainda que outras alternativas foram discutidas pelo grupo. Uma delas seria atrair o ex-atleta para o Brasil sob o pretexto de apresentações em festas no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte. Em território brasileiro, ele poderia ser alvo de ações de intimidação, segundo os documentos analisados pela Polícia Federal.
Mensagens interceptadas também mostram referências a um suposto contato na Interpol que poderia auxiliar na operação. No entanto, os investigadores afirmam não ter identificado a pessoa mencionada nas conversas.
Os documentos revelam que o grupo chegou a realizar consultas em sistemas de informação para monitorar deslocamentos e dados migratórios de Seikaly. Em um dos levantamentos, foi constatado que ele estava na Espanha. A PF também afirma que houve a elaboração de um documento falso destinado à Interpol com o objetivo de intimidar o ex-jogador, embora não haja indicação de que a iniciativa tenha produzido efeitos concretos.
O episódio integra um conjunto mais amplo de apurações conduzidas pela Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de organização criminosa, fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, intimidação de adversários e outras irregularidades atribuídas a integrantes do grupo ligado a Daniel Vorcaro. A operação teve diversas fases ao longo dos últimos meses e segue em andamento.
Até o momento, não há registro de denúncia formal relacionada especificamente ao suposto plano contra Ronald Seikaly, e as informações fazem parte das investigações conduzidas pela Polícia Federal.