Investigação da Polícia Federal apura contrabando de pedras preciosas, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal com movimentações milionárias.
Redação Publicado em 12/05/2026, às 08h55
Uma investigação da Polícia Federal revelou um suposto esquema milionário de contrabando de diamantes, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal envolvendo pessoas ligadas à família do ex-governador de Roraima Antonio Denarium.
O principal alvo das apurações é o empresário Fabrício de Souza Almeida, apontado pelos investigadores como articulador financeiro de uma rede suspeita de movimentar milhões de reais por meio de empresas de fachada e operações consideradas incompatíveis com a atividade declarada.
As investigações tiveram início após uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal na BR-174, em 2020. Segundo os investigadores, Fabrício e outro homem apresentaram informações contraditórias sobre o trajeto da viagem entre Roraima e Rondônia, o que levantou suspeitas.
Durante a apuração, a PF identificou registros que indicavam deslocamentos por Manaus e Porto Velho, além de conexões do empresário com antigos investigados em operações relacionadas ao comércio ilegal de diamantes e garimpo clandestino.
Os investigadores também recuperaram antecedentes ligados à Operação Roosevelt, realizada em Rondônia em 2010, quando Fabrício foi preso em flagrante com diamantes e dinheiro em espécie.
Outro ponto que chamou atenção da PF foi a ligação de investigados com a Fazenda J. Bastos, propriedade declarada por Antonio Denarium à Justiça Eleitoral durante a campanha de 2018. O imóvel fica em Iracema, município citado inicialmente pelos ocupantes do veículo abordado pela PRF.
A investigação ainda menciona uma publicação antiga em rede social na qual o ex-governador teria chamado um sobrinho de “the diamond king”, expressão em inglês que significa “rei do diamante”.
No centro das suspeitas está a empresa FB Serviços, registrada em nome de Fabrício. Segundo relatórios policiais, a companhia não possuía funcionários, veículos ou estrutura operacional compatível com a intensa movimentação financeira identificada.
Mesmo sem estrutura aparente, a empresa teria movimentado mais de R$ 6 milhões em poucos meses, segundo documentos analisados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
As diligências também identificaram saques frequentes em espécie, transferências sucessivas entre contas ligadas ao grupo e indícios de ocultação patrimonial.
Além do caso envolvendo diamantes, Fabrício e a tia dele, Vanda Garcia de Almeida, viraram réus na Justiça Federal em uma ação que investiga o financiamento de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
De acordo com o Ministério Público Federal, o grupo teria movimentado cerca de R$ 64 milhões entre 2017 e 2021. Os acusados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União.
Durante operações anteriores, agentes apreenderam equipamentos de garimpo, registros de voos clandestinos, pagamentos a pilotos e anotações relacionadas ao transporte e comercialização de minério.
Até o momento, os citados na investigação não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações.