Exames com reagente luminol revelam sangue na bermuda e em objetos pessoais do PM, reforçando versão de que ele tentou apagar evidências após a morte da companheira.
Ana Beatriz Publicado em 19/03/2026, às 01h35
A investigação policial que resultou na prisão do tenente‑coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, nesta quarta‑feira (18/3), encontrou provas que reforçam a hipótese de feminicídio no caso da morte de sua esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. A análise pericial, baseada em exames com reagente luminol, detectou vestígios de sangue em objetos pessoais do acusado e em diferentes pontos do banheiro da casa, o que contraria a versão inicial de suicídio e fortalece a suspeita de homicídio doloso.
Os exames realizados pela perícia mostraram a presença de sangue impregnado na bermuda do tenente‑coronel e na toalha que ele usou para se secar após tomar banho no dia do crime. Segundo os peritos, a dispersão do sangue em locais que deveriam estar limpos, como o chão, as paredes e o boxe do banheiro, indica uma tentativa deliberada de apagar vestígios de um crime violento, e não um ato de autoagressão pela vítima.
Como mostrou reportagem do Metrópoles, equipes periciais já haviam encontrado manchas compatíveis com sangue dentro do box do banheiro da residência, incluindo marcas no registro de água, na parede e no piso, que não condizem com a sequência de um suicídio, mas sim com a lavagem de uma pessoa já com sangue no corpo. A descoberta foi um elemento central na revisão da linha de investigação, que passou de uma hipótese de suicídio para uma investigação por feminicídio.
Ao pedir a prisão preventiva de Rosa Neto, o delegado Lucas de Souza Lopes, do 8º Distrito Policial, destacou que a única explicação tecnicamente compatível para as manchas de sangue dispersas e a presença do reagente nas roupas do acusado é que ele entrou no banheiro já impregnado de sangue e tentou se lavar antes que as equipes de socorro chegassem ao local. Segundo o delegado, essa conduta configura uma tentativa deliberada de destruir evidências do crime.
“A única explicação tecnicamente compatível com a presença de sangue nos registros de água, na parede, no chão do box e em sua bermuda é que o investigado entrou no banheiro já impregnado de sangue, que lavou sob o chuveiro antes de receber qualquer equipe de socorro, em conduta deliberada de destruição de evidências”, afirmou o delegado no documento que sustentou o pedido de prisão.
O laudo pericial também revelou que não foram encontrados resíduos de disparo de arma de fogo nas mãos do tenente‑coronel, o que reforça a tese de que o crime não se tratou de um ato de suicídio da vítima. Essa ausência de pólvora e outros vestígios compatíveis com um tiro nas mãos de Rosa Neto foi considerada crucial pela equipe investigativa.
Em outro trecho do pedido de prisão, o delegado afirma que os resultados das análises são de “maior relevância para a demonstração da autoria do feminicídio” e que a conduta do suspeito — lavar o próprio corpo no banheiro depois do crime — também pode configurar prática de fraude processual, prevista no artigo 347, parágrafo único, do Código Penal.
A mudança na tipificação do caso para feminicídio representa a adoção de uma perspectiva mais ampla por parte da investigação, que considera não apenas a morte em si, mas todo o contexto de violência doméstica e os comportamentos do acusado após o fato. A prisão do tenente‑coronel foi decretada para assegurar a continuação das apurações sem risco de interferência ou destruição de provas.
Familiares e conhecidos da vítima foram ouvidos nos últimos dias, e o inquérito segue sob sigilo, sob coordenação da Polícia Civil, com apoio de equipes de perícia e análise criminal.