Após a morte da criança, o corpo foi esquartejado e enterrado em casa, com o pai confessando o crime sob pressão policial
Redação Publicado em 29/11/2025, às 08h09
A apuração sobre a morte de Emanuelly, uma garotinha de apenas 4 anos, ganhou detalhes ainda mais sérios depois que o pai, o metalúrgico Lucas Silva Souza, de 29 anos, deu seu depoimento. Ele contou à Polícia Civil que a madrasta da criança, Manoela Cristina César, de 34 anos, que está desempregada, teria tirado a vida da menina por um motivo inacreditável, ela fez xixi na cama.
Esse incidente, segundo o relato do pai, deu início a uma série de agressões que resultaram na morte da criança. Mas o horror não parou por aí. Depois de morta, o corpo foi esquartejado e escondido de forma macabra, partes foram colocadas em um buraco no quintal da casa e, para ocultar o crime, eles jogaram concreto por cima.
Versões contraditórias
O caso veio à tona depois que a mãe de Emanuelly, Gabriella Cardoso Lourenço da Silva, procurou o Conselho Tutelar. Ela havia relatado agressões anteriores cometidas por Lucas contra os filhos. Ao investigar o paradeiro de Emanuelly, o Conselho notou que as histórias do casal eram totalmente diferentes e não batiam. Foi aí que Lucas, pressionado, acabou confessando que a filha havia morrido e sido enterrada.
No 4º Distrito Policial (DP) de Guarulhos, Lucas afirmou que, ao retornar do trabalho no dia 15 de setembro, encontrou a filha “gelada” no sofá. Ele disse que Manoela teria contado que brigou com a criança por causa do xixi e que Emanuelly "desmaiou" logo após a discussão. “Ela confessou que brigou com a menina porque ela fez xixi na cama”, declarou o pai em seu depoimento. Segundo ele, a companheira admitiu, mais tarde, que foi ela quem tirou a vida da criança.
Já Manoela deu uma história diferente. Ela alegou que a menina estava "quase parada" e ainda respirava quando Lucas chegou. A madrasta garantiu que foi o próprio pai que teve a iniciativa de “se livrar” do corpo. Ela admitiu que ajudou a esconder o cadáver, mas negou ter esquartejado a criança. Questionada se havia agredido a menina antes da morte, ela se recusou a responder, dizendo apenas: “Não vou falar porque a gente já vai pegar cadeia mesmo”.
Detalhes do crime
Lucas descreveu que a decisão de esquartejar o corpo foi tomada no dia seguinte, em "acordo" com a madrasta, para que os dois não fossem presos. Ele alegou que Manoela fez os cortes enquanto ele apenas “olhava e ajudava”. As partes do corpo foram, então, enterradas em um buraco na varanda interna da residência e, em seguida, cobertas com cimento.
Quando foi levado pela polícia ao local, Lucas precisou quebrar o piso da casa até que o cheiro forte de decomposição e alguns fios de cabelo que apareceram confirmaram que havia restos humanos ali.
Prisão e histórico de violência
A Polícia Civil classificou o ocorrido como homicídio qualificado e ocultação de cadáver, indicando que existem provas de que tanto o pai quanto a madrasta participaram do crime. O 4º DP de Guarulhos pediu a prisão dos dois, destacando a crueldade do ato e a tentativa de atrapalhar as investigações. A Justiça de São Paulo (TJSP) acatou o pedido nessa sexta-feira (28/11), e ambos estão presos preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado.
Consultas aos registros policiais mostraram que Lucas já tem outros boletins de ocorrência. Entre eles, há maus-tratoscontra outro filho e também lesão corporal, ameaça e injúria contra Gabriella, a mãe de Emanuelly. Esse histórico policial reforça a desconfiança de que a violência era constante na família.
O caso está sendo acompanhado de perto e a polícia segue investigando para esclarecer todos os detalhes.