ESPIONAGEM

Organização criminosa usava drones e prostitutas para vigiar ministros do STF

A operação resultou em prisões e apreensões, revelando um esquema de espionagem que cobrava até R$ 250 mil por informações

Ministros do Supremo Tribunal Federal durante sessão de Abertura do Ano Judiciário - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Antônio Cruz

William Oliveira Publicado em 28/05/2025, às 12h47

A Polícia Federal (PF) realizou, nesta quarta-feira (28), uma operação que resultou na desarticulação de uma organização criminosa especializada em homicídios encomendados e espionagem ilegal. O grupo, que chegou a cobrar até R$ 250 mil pelo monitoramento clandestino de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), foi alvo da 7ª fase da Operação Sisamnes.

Formada por militares da ativa, da reserva e também por civis, a quadrilha utilizava métodos sofisticados como drones e prostitutas para vigiar e coletar informações sobre figuras públicas. A complexidade das operações foi revelada durante a investigação do assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá (MT).

No celular da vítima, a PF encontrou provas contundentes das atividades ilícitas do grupo, como negociações para venda de sentenças judiciais e referências diretas à espionagem de autoridades.

Segundo a PF, o grupo se autodenominava Comando C4 — sigla para "Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos" — e mantinha uma tabela com valores específicos para serviços de espionagem: R$ 250 mil para ministros do STF, R$ 150 mil para senadores e R$ 100 mil para deputados.

Além da espionagem, o grupo também atuava como uma agência de extermínio, com preços definidos para assassinatos sob encomenda. As investigações indicam que havia até planilhas impressas com os valores estipulados conforme o cargo da vítima.

A quadrilha demonstrava alto grau de organização, com táticas militares, tecnologia de ponta e infiltração social eficaz. Prostitutas eram usadas para se aproximar de alvos, enquanto drones faziam a vigilância a longa distância.

Por ordem do ministro Cristiano Zanin, do STF, a PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, quatro de monitoramento eletrônico e seis de busca e apreensão em estados como Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. Também foram aplicadas medidas cautelares como retenção de passaportes e proibição de contato entre os investigados.

Entre os presos estão:

A PF também apura um possível esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, com ramificações que podem chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Registros apreendidos indicam que o Comando C4 atuava como facilitador, conectando interessados a operadores jurídicos em troca de decisões favoráveis mediante pagamento.

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