Investigação aponta desvio de ao menos R$ 10 milhões por meio de empresas de fachada, contratos superfaturados e lavagem de dinheiro
Redação Publicado em 02/06/2026, às 15h19
Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Militar deflagrou, na manhã desta terça-feira (2), uma ampla operação contra um suposto esquema de corrupção instalado na Câmara Municipal de Catanduva, no interior paulista. Batizada de “Operação Rei do Pix”, a ação apura crimes de peculato, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As investigações apontam que, entre 2023 e 2024, pelo menos R$ 10 milhões teriam sido desviados dos cofres do Legislativo municipal. Os promotores, porém, não descartam que o valor real das fraudes seja ainda maior, diante da complexidade do esquema e da quantidade de operações financeiras identificadas.
O esquema
De acordo com o Ministério Público, os investigados utilizavam uma rede com mais de 60 empresas de fachada registradas em nome de familiares e pessoas próximas. Essas empresas simulavam a prestação de serviços à Câmara, emitiam notas fiscais e recebiam pagamentos com recursos públicos. Posteriormente, entre 90% e 95% dos valores retornavam aos integrantes da organização criminosa.
Além das empresas fictícias, a investigação revelou indícios de fraudes em processos licitatórios e contratos com valores acima dos praticados no mercado. Segundo a promotoria, esses contratos eram utilizados para garantir repasses ilícitos que chegavam a representar até 30% do montante desembolsado pelo Poder Legislativo.
Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de prisão e mais de 50 mandados de busca e apreensão nas cidades de Catanduva, Adamantina, Bauru, Jaboticabal e São Paulo. A operação mobiliza mais de 200 policiais militares, 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal e equipes da Polícia Civil que auxiliam nas diligências realizadas na capital.
A 1ª Vara Criminal de Catanduva também determinou o bloqueio de bens dos investigados para assegurar o ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos. Para os apontados como líderes do esquema, os valores bloqueados podem chegar a R$ 20 milhões.
Segundo os investigadores, mesmo após os desvios, o grupo teria continuado realizando movimentações financeiras destinadas a ocultar a origem dos recursos, prática que caracteriza o crime de lavagem de capitais. O nome da operação faz referência ao apelido atribuído a um dos principais alvos da investigação, conhecido pela intensa circulação de recursos por meio de transferências eletrônicas.