Rio de Janeiro

Operação no Rio de Janeiro gera 138 mortes e supera massacre do Carandiru

Com 64 óbitos confirmados e mais 74 corpos encontrados, a operação pode se tornar a mais letal da história do Brasil

Com 64 óbitos confirmados e mais 74 corpos encontrados, a operação pode se tornar a mais letal da história do Brasil - Imagem: Reprodução / Tomaz Silva / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 29/10/2025, às 18h30

A recente operação das forças de segurança do Rio de Janeiro contra a facção criminosa Comando Vermelho (CV) resultou em um número alarmante de mortes, superando o infame Massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 detentos em 1992.

Na manhã de quarta-feira (29), o governo do estado confirmou 64 óbitos, sendo 60 deles considerados suspeitos e quatro policiais. No entanto, moradores das comunidades da Penha e do Alemão, localizadas na Zona Norte da capital fluminense, relataram a descoberta de mais 74 corpos em áreas de mata adjacentes. Com esses dados adicionais, o total de vítimas poderia alcançar impressionantes 138 mortos – 134 suspeitos e quatro agentes da lei.

As autoridades ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a inclusão desses novos corpos nas estatísticas oficiais. Caso sejam contabilizados, a operação se tornaria a mais letal da história do estado e do século XXI no Brasil.

O Massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992, foi uma ação da Polícia Militar (PM) de São Paulo para controlar uma rebelião na Casa de Detenção do Carandiru. Essa operação terminou com a morte de 111 presos, dos quais 77 foram mortos pela polícia e 34 por outros detentos, conforme informações do Ministério Público. Até então, este evento era considerado o episódio mais letal envolvendo forças policiais no Brasil, segundo organizações de direitos humanos.

Em uma reviravolta judicial, em 2024, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) anulou as penas impostas a 74 policiais militares envolvidos no massacre. Esta decisão foi baseada em um decreto anterior assinado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro que concedeu indulto a agentes de segurança pública condenados por crimes cometidos há mais de três décadas.

A operação no Rio durou mais de 12 horas e gerou um clima tenso na cidade, com bandidos utilizando drones e armadilhas para dificultar o avanço das tropas policiais. O objetivo declarado da ação era cumprir 69 mandados de prisão em 180 endereços e conter a expansão territorial do Comando Vermelho.

O governador Cláudio Castro (PL) descreveu a operação como "a maior já realizada pelas forças de segurança do Rio", destacando que o estado se sente isolado na luta contra o crime organizado. Em resposta, o Ministério da Justiça garantiu que tem colaborado com os pedidos feitos pelo governo estadual.

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