Investigação aponta influência psicológica, pedidos constantes de PIX e supostos “rituais espirituais” usados para convencer vítima de 71 anos a entregar dinheiro às investigadas.
Ana Beatriz Publicado em 09/05/2026, às 17h14
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta sexta-feira (9) a Operação Hipnose Financeira para cumprir sete ordens judiciais contra investigadas suspeitas de aplicar um esquema de estelionato contra um idoso de 71 anos em Lucas do Rio Verde, no interior do estado.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia do município, a vítima sofreu um prejuízo financeiro superior a R$ 300 mil após meses de manipulação psicológica e emocional. A apuração aponta que o homem conheceu uma das suspeitas em um supermercado da cidade. Durante a conversa, a mulher teria afirmado que ele estava acometido por uma doença grave.
A partir desse contato, segundo a Polícia Civil, foi criada uma relação de forte influência emocional sobre o idoso. As investigadas passaram a exigir pagamentos sob a justificativa de realização de “trabalhos espirituais”, rituais religiosos e procedimentos que supostamente seriam capazes de curar a enfermidade mencionada.
Conforme a investigação, o homem começou a fazer transferências bancárias frequentes via PIX para contas de terceiros desconhecidos. O comportamento chamou a atenção dos familiares, que perceberam mudanças bruscas na rotina da vítima e acionaram a polícia.
Além das transferências, o idoso tentou obter empréstimos bancários e chegou a pedir dinheiro emprestado para parentes, amigos e vizinhos. A família passou a desconfiar de ameaças psicológicas e de uma possível pressão emocional constante exercida pelas suspeitas.
Os investigadores também identificaram cobranças insistentes por novos pagamentos. Em uma das situações apuradas, teria sido solicitado o valor de R$ 15 mil para a continuidade dos supostos “trabalhos espirituais”.
A Polícia Civil informou ainda que existem indícios de atuação interestadual das investigadas. Há registros de ocorrências semelhantes envolvendo o grupo em outras cidades de Mato Grosso, o que levantou suspeitas sobre a possível existência de um esquema estruturado voltado à exploração financeira de vítimas vulneráveis.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares autorizadas pela Justiça, como quebra de sigilo telefônico e telemático e indisponibilidade de bens e valores das investigadas.
A polícia segue analisando documentos, movimentações financeiras e aparelhos eletrônicos apreendidos para identificar a participação de outras pessoas no esquema e verificar se há mais vítimas.