Condenada enviou chocolate contaminado com chumbinho para família; crime ocorreu em 2025 e, segundo investigação, foi motivado por ciúmes e vingança
Julio Cezar Souza Publicado em 23/06/2026, às 10h09
A Justiça condenou, na madrugada desta terça-feira (23), Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos de prisão em regime fechado pelo envenenamento e morte de duas crianças em Imperatriz, no Maranhão.
As vítimas foram Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13, que morreram após consumir um ovo de Páscoa enviado pela acusada à residência da família. A mãe dos irmãos, Mírian Lira Rocha, também passou dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas sobreviveu.
Segundo as investigações, o chocolate estava contaminado com chumbinho, substância usada ilegalmente como pesticida. O doce teria sido enviado por Jordélia por meio de um mototaxista.
De acordo com o Ministério Público do Maranhão (MPMA), o crime foi motivado por ciúmes e vingança, já que Jordélia era ex-companheira do atual parceiro de Mírian na época do caso.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram contra Jordélia o crime de duplo homicídio qualificado pelas mortes das crianças, com agravantes de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e pelo fato de as vítimas terem menos de 14 anos.
Também foi reconhecida a tentativa de homicídio qualificado contra Mírian Lira, que só não morreu devido ao atendimento médico recebido.
O juiz determinou o cumprimento imediato da pena, manteve a prisão preventiva e negou à condenada o direito de recorrer em liberdade. A decisão ainda estabeleceu indenização mínima por danos morais de 100 salários mínimos para Mírian e 400 salários mínimos para os pais das crianças.
Investigação
Segundo a denúncia, Jordélia teria planejado o crime. A investigação apontou que ela viajou de Santa Inês para Imperatriz, se hospedou usando um nome falso e contratou um motoboy para entregar os ovos de Páscoa.
O pacote enviado à família continha um bilhete com a mensagem: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”.
Após ser presa, a polícia encontrou com Jordélia perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e uma passagem de ônibus.
Durante o julgamento, ela admitiu ter comprado e enviado o ovo de chocolate para Mírian, mas negou ter colocado veneno no produto e afirmou que terceiros seriam responsáveis. A versão foi rejeitada pela Justiça.