Operação Juros Zero cumpre 50 mandados de busca e apreensão e mira dirigentes atuais e antigos do BRB, órgãos do Governo do Distrito Federal, empresas e entidades suspeitas de participação em esquema que teria causado prejuízos milionários.
Ana Beatriz Publicado em 19/06/2026, às 12h42
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou na manhã desta sexta-feira, 19 de junho, a Operação Juros Zero, uma ampla ação destinada a investigar um suposto esquema de fraudes envolvendo a folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal.
A operação tem como principais alvos o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), além da plataforma financeira PicPay e associações que estariam ligadas ao esquema investigado.
As medidas foram autorizadas pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que determinou o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços no Distrito Federal, em Curitiba, no Paraná, e em São Paulo, incluindo a sede do PicPay.
Segundo as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPDFT, o suposto esquema teria utilizado mecanismos ligados à gestão da folha de pagamento dos servidores públicos para favorecer interesses particulares e movimentar recursos de forma irregular.
Os investigadores apuram a atuação de atuais e ex-dirigentes de instituições públicas e privadas que mantinham relação direta com a administração dos pagamentos dos servidores distritais. O objetivo é identificar possíveis fraudes, favorecimentos indevidos, irregularidades em contratos e eventuais desvios de recursos públicos.
Entre os investigados está Ney Ferraz Júnior, ex-secretário de Economia do Distrito Federal, apontado como um dos principais nomes analisados no inquérito. Também figura entre os alvos Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília. As autoridades buscam reunir documentos, registros financeiros, contratos, aparelhos eletrônicos e demais elementos que possam esclarecer o funcionamento da suposta organização investigada.
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, a operação busca mapear a cadeia de decisões administrativas e financeiras que teria permitido a implementação do esquema. A suspeita é de que estruturas ligadas ao processamento da folha salarial e à oferta de produtos financeiros para servidores públicos tenham sido utilizadas para beneficiar determinados grupos econômicos e agentes envolvidos.
A participação do PicPay na investigação decorre de operações e contratos que estão sob análise dos investigadores. Até o momento, não houve divulgação oficial sobre eventual responsabilidade da empresa ou de seus dirigentes, sendo a fase atual destinada à coleta de provas e ao aprofundamento das apurações.
As buscas também alcançam entidades associativas que mantinham relacionamento financeiro com servidores públicos e que, segundo os investigadores, podem ter sido utilizadas para operacionalizar parte das movimentações analisadas pelo Ministério Público.
A Operação Juros Zero representa uma das maiores ações recentes voltadas à apuração de possíveis irregularidades envolvendo a folha de pagamento do funcionalismo público do Distrito Federal. O material apreendido será submetido à perícia e poderá subsidiar futuras denúncias por crimes como corrupção, organização criminosa, fraude administrativa, lavagem de dinheiro e outros delitos eventualmente identificados ao longo das investigações.
O Ministério Público ressaltou que a operação tem como objetivo reunir provas e que os fatos ainda estão em fase de investigação. Os envolvidos terão assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa durante o andamento do processo.