Justiça e Música

Laudo médico aponta transtornos psíquicos e defesa de Oruam pede tratamento fora da prisão

Cantor de 25 anos está foragido e responde por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis; audiência foi remarcada para 30 de março.

Oruam está foragido e apresentou laudo médico que aponta ansiedade e depressão moderada - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 25/02/2026, às 12h50

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A defesa do cantor Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, protocolou na Justiça um laudo médico que indica a presença de transtornos de ordem psíquica. O artista, de 25 anos, está foragido e responde a processo por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada no bairro do Joá, em julho do ano passado.

De acordo com o relatório clínico apresentado pela defesa, o cantor apresenta quadro compatível com transtorno de ansiedade associado a depressão moderada. O documento afirma que as condições estariam provocando impactos relevantes na vida social e cognitiva do artista. O laudo também aponta que o estado emocional seria agravado por sensação constante de hipervigilância diante da possibilidade de prisão, além de questões de saúde anteriores e conflitos familiares.

O profissional responsável pelo acompanhamento sustenta que o tratamento deve ocorrer fora do sistema prisional. Segundo o parecer, a reclusão poderia agravar o quadro psicológico, comprometendo ainda mais a estabilidade emocional do artista.

Audiência adiada e situação processual

A audiência do caso estava marcada para o último dia 23, mas foi remarcada para 30 de março após a ausência de uma das vítimas, o delegado Moysés Santana Gomes. O processo investiga a atuação do cantor durante a operação policial que resultou nas acusações de tentativa de homicídio qualificado.

Além dessas imputações, Oruam também responde por resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. As acusações fazem parte do mesmo episódio investigado pelas autoridades civis.

Foragido e violações de monitoramento

Desde que deixou a prisão, em setembro, o cantor passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Segundo informações do processo, ele teria violado o equipamento 66 vezes. Diante das ocorrências, o Superior Tribunal de Justiça revogou o habeas corpus concedido anteriormente e determinou o retorno à prisão.

O dispositivo de monitoramento está desligado desde 1º de fevereiro. Desde então, Oruam é considerado foragido da Justiça.

Defesa aposta em argumento clínico

A estratégia da defesa se concentra na apresentação do laudo psiquiátrico como elemento relevante para a condução do processo. O documento busca demonstrar que o estado emocional do artista pode influenciar sua conduta e, portanto, deve ser considerado na análise judicial.

Especialistas ouvidos em casos semelhantes costumam destacar que laudos psicológicos podem ser utilizados para fundamentar pedidos de tratamento médico específico ou medidas alternativas à prisão, desde que haja comprovação técnica consistente e análise individualizada pelo Judiciário.

Próximos passos

Com a nova data marcada para 30 de março, a expectativa é que a audiência avance na oitiva das partes envolvidas e na análise dos elementos apresentados pela defesa e pela acusação. Até lá, permanece a ordem de prisão em aberto, enquanto o cantor segue foragido.

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