Justiça marca júri de PMs acusados de executar jovem rendido em Paraisópolis

Dois cabos presos serão julgados em julho pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos; crime foi registrado por câmeras corporais

Igor aparece rendido antes de ser morto em ação policial - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 20/04/2026, às 19h15 - Atualizado às 19h20

A Justiça de São Paulo definiu para o dia 28 de julho, às 10h30, o julgamento de dois policiais militares acusados de matar Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma operação em Paraisópolis, na Zona Sul da capital. A sessão ocorrerá no Plenário 13 do Fórum Criminal da Barra Funda.

Serão levados ao Tribunal do Júri os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, apontados pelo Ministério Público como autores dos disparos que mataram o jovem. Ambos permanecem presos e respondem por homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Segundo a investigação, Igor já estava rendido no momento em que foi baleado, o que afastou a versão inicial apresentada pelos agentes de que teria havido confronto armado. A morte ocorreu em julho do ano passado, durante uma ação policial na comunidade.

Outros dois militares denunciados no caso, os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, também respondem criminalmente, mas na condição de colaboradores. Como recorreram da decisão judicial, o processo deles foi separado e ainda não há data para julgamento.

Câmeras corporais registraram ação

As apurações ganharam força após a análise das imagens gravadas pelas câmeras corporais utilizadas pelos próprios policiais. Nos registros, Igor aparece desarmado e sob domínio dos agentes antes de ser atingido pelos tiros.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, os policiais agiram fora dos limites legais e decidiram matar o rapaz mesmo após a rendição. Para a Promotoria, houve execução e não reação em legítima defesa.

No Tribunal do Júri, sete jurados serão responsáveis por decidir se os réus são culpados ou inocentes pelas acusações relacionadas à morte de Igor.

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