Exploração sexual em curso

Justiça condena envolvidos em esquema de exploração sexual em festa no Morumbi

Grupo promovia curso para estrangeiros e utilizava eventos com mulheres, incluindo adolescentes, como “aulas práticas”

O MSC já havia realizado eventos semelhantes em outros países, promovendo estereótipos negativos sobre mulheres brasileiras - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 08/04/2026, às 09h13

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A Justiça Federal condenou o norte-americano Mark Thomas Firestone e o brasileiro Fabrício Marcelo Silva de Castro a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado por exploração sexual de mulheres, incluindo adolescentes, durante uma festa realizada em 2023 no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo.

O evento fazia parte de um curso promovido pelo grupo Millionaire Social Circle (MSC), que prometia ensinar homens estrangeiros a se relacionarem com mulheres. O esquema também envolvia o chinês Ziqiang Ke, conhecido como Mike Pickupalpha, que está foragido e teve o processo separado.

De acordo com a investigação, os encontros organizados pelo grupo incluindo jantares e festa tinham como objetivo induzir mulheres jovens a situações de exploração sexual. As abordagens envolviam promessas indiretas de vantagens financeiras, status social e possíveis relacionamentos.

O principal episódio analisado pela Justiça ocorreu em 26 de fevereiro de 2023, em uma mansão de alto padrão no Morumbi. A festa foi estruturada para atrair mulheres, com entrada gratuita, transporte por aplicativo custeado pelos organizadores e consumo liberado de bebidas. O evento também contou com ampla produção de fotos e vídeos, posteriormente utilizados na divulgação do curso.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, a presença de adolescentes tornou o caso ainda mais grave. Ao menos uma jovem de 17 anos participou da festa, sem que houvesse controle efetivo de idade, apesar da exigência formal de maioridade.

Na sentença, o juiz federal Caio José Bovino Greggio apontou que ficou comprovada a prática de exploração sexual e favorecimento à prostituição. O magistrado destacou que mulheres eram filmadas e fotografadas, muitas vezes sem consentimento, e exibidas como “resultados” do suposto sucesso do curso.

O juiz também reconheceu a atuação articulada dos acusados. Mark Thomas, que utilizava identidades como David Bond e Steven Mapel, foi apontado como um dos líderes e instrutor do programa. Já Fabrício Marcelo teve papel central na organização logística, incluindo a locação do imóvel e contratação de serviços.

A decisão determinou a manutenção da prisão preventiva do brasileiro, citando risco de fuga e descumprimento de medidas cautelares. O norte-americano poderá recorrer em liberdade. Ainda cabe recurso da sentença.

O caso começou a ser investigado após denúncias de participantes. Uma mulher relatou à Polícia Civil que a festa funcionava como uma “aula prática” do curso. Segundo ela, homens estrangeiros registravam imagens das participantes para promover o programa nas redes sociais.

O MSC já havia realizado atividades semelhantes em países como Costa Rica, Colômbia e Filipinas, com pacotes que podiam chegar a US$ 50 mil. No material de divulgação, o Brasil era descrito de forma estereotipada, com afirmações como “beijar na boca é o mesmo que apertar as mãos” e caracterizações das mulheres brasileiras como mais permissivas — conteúdos que foram apagados após o início das investigações.

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