HOMOFOBIA

Jovens alegam legítima defesa após morte brutal de adolescente em Manaus

Fernando Vilaça, de 17 anos, morreu após ser agredido por dois primos; investigação revela que agressão foi motivada por injúrias homofóbicas

Crime ocorreu em julho e resultou em traumatismo craniano - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 17/07/2025, às 13h22

Dois adolescentes, envolvidos na brutal agressão que resultou na morte de Fernando Vilaça da Silva, de 17 anos, em Manaus, alegaram à polícia que agiram em “legítima defesa”. A Polícia Civil do Amazonas concluiu as investigações na quarta-feira (16).

O primeiro suspeito, de 16 anos, se apresentou no dia 9, acompanhado de um advogado. O segundo, de 17, que estava foragido, se entregou dias depois na Delegacia Especializada em Atos Infracionais (DEAAI), também com defesa jurídica. Ambos são primos e tiveram a internação decretada pela Justiça.

Os adolescentes afirmaram que reagiram após uma suposta agressão inicial por parte de Fernando. No entanto, o delegado Guilherme Torres, responsável pelo caso, descartou essa versão.

“Eles afirmam que foram atacados por Fernando e que apenas reagiram. Contudo, possuímos gravações, depoimentos de testemunhas e outros elementos que provam o contrário. Trata-se de uma agressão intencional e covarde”, declarou à imprensa.

A Polícia Civil os acusa de ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado, com motivação torpe. Eles devem ser encaminhados a uma unidade socioeducativa.

Violência em Manaus

O crime ocorreu no dia 3 de julho, quando Fernando saiu de casa para comprar leite e foi confrontado pela dupla após reagir a ofensas. De acordo com o delegado, as agressões foram motivadas por “injúrias homofóbicas”.

Segundo o boletim de ocorrência, a vítima sofreu traumatismo craniano, edema cerebral e hemorragia, vindo a falecer dois dias depois.

Em entrevista à TV Norte Amazonas, o irmão da vítima, Gutemberg Vilaça, lamentou a perda: “O que fizeram com meu irmão não se faz nem com bicho. Todos conheciam ele. Iamos da escola para casa. Queremos justiça; não queremos que ele seja apenas mais um!”, afirmou, emocionado.

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