Durante a cirurgia, a idosa foi informada de que estava apenas removendo uma unha encravada
William Oliveira Publicado em 28/01/2025, às 11h36
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um procedimento cirúrgico clandestino que resultou na amputação do pé de uma mulher de 103 anos, ocorrido em um apartamento em Asa Norte. O procedimento, realizado por uma enfermeira não qualificada, ocorreu sem a supervisão médica adequada.
Segundo informações da coluna Na Mira, do Portal Metrópoles, a amputação aconteceu em 13 de dezembro do ano passado, após a idosa apresentar necrose grave em seu pé, que se espalhou para a perna. O procedimento foi realizado sem anestesia, causando intensas dores à vítima durante a cirurgia.
Os investigadores da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual (Decrin) estão apurando as condições em que o ato foi realizado, além da falta de higiene adequada. Eles também buscam esclarecer o destino do membro amputado. Para preservar a identidade da idosa e de sua família, seus nomes não foram divulgados.
A assistência à idosa era prestada por técnicos de enfermagem e enfermeiros, sendo que a enfermeira responsável pela cirurgia foi contratada especificamente para esse procedimento. Fontes indicam que o pé da paciente estava tão comprometido que, em uma tentativa inicial, o bisturi não conseguiu cortar. Durante a cirurgia, a idosa foi informada de que estava apenas removendo uma unha encravada.
Imagens capturadas momentos antes da amputação mostram a gravidade do estado do membro.
"Deu BO com o pé"
A enfermeira chegou ao local sem informações sobre o histórico médico da idosa, sequer sabendo seu nome ou idade. Após o procedimento, tanto ela quanto os familiares enfrentaram dificuldades para descartar o pé amputado.
Registros de conversas no WhatsApp revelam que a profissional tentou usar os recursos do hospital onde trabalhava para se livrar do membro, mas não obteve sucesso. Ela chegou a fazer referências sarcásticas sobre a situação.
Posteriormente, a enfermeira comunicou que encontrou uma solução para o descarte do membro por meio de uma unidade de saúde pública no DF, mas não forneceu detalhes sobre qual hospital seria ou se conseguiu efetivamente realizar o descarte.
A idosa foi internada em 27 de janeiro para uma nova cirurgia, que visa a remoção da parte necrosada da perna. Investigadores da Decrin compareceram ao hospital para colher depoimentos de familiares e funcionários. A delegacia informou que as investigações continuam em sigilo.