O crime ocorreu em março de 2023, quando André Ávila Fonseca assassinou Laila Vitória Rocha de Oliveira a golpes de espada e, em seguida, incendiou o corpo
William Oliveira Publicado em 16/12/2025, às 10h21
André Ávila Fonseca foi condenado pela Justiça do Rio Grande do Sul a cumprir 31 anos e quatro meses de prisão pelo assassinato de Laila Vitória Rocha de Oliveira, de 20 anos. A sentença foi proferida na sexta-feira (12) pelo Conselho de Sentença, que o considerou culpado pelos crimes de feminicídio, uso de meio cruel e posse ilegal de arma de fogo. Ainda é possível interpor recursos em instâncias superiores.
O julgamento durou dois dias e contou com os depoimentos da mãe e de uma amiga da vítima, além da análise de um médico legista. Dois psiquiatras indicados pela defesa de Fonseca também foram ouvidos. Notavelmente, o réu não compareceu ao tribunal, permanecendo detido durante todo o processo.
O Conselho de Sentença, formado exclusivamente por mulheres, declarou André culpado por homicídio qualificado — caracterizado como feminicídio —, uso de meio cruel e posse não autorizada de arma. O acusado permanecerá sob custódia policial.
O assassinato ocorreu em 23 de março de 2023, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, após vizinhos chamaram a polícia após ouvirem disparos e gritos na residência de Fonseca. No local, encontraram o corpo de Laila com sinais de queimaduras graves. Laudos periciais indicam que ela foi golpeada com uma espada antes de ser colocada na lareira.
A Polícia Civil informou que a vítima tinha passagens aéreas compradas para retornar a sua cidade natal na mesma semana do crime. Testemunhas relataram mensagens enviadas por Laila expressando medo e o desejo de deixar Porto Alegre, além de contar suas preocupações à mãe e amigas.
Laila, natural de Parauapebas (PA), havia se mudado para Porto Alegre cerca de dois meses antes, após conhecer Fonseca online. Durante as investigações, constatou-se que ela temia por sua segurança devido ao comportamento agressivo do réu e tinha planos de terminar o relacionamento.
Inicialmente, investigou-se uma possível motivação religiosa, já que Fonseca utilizava o pseudônimo “Victor Samedi” nas redes sociais para divulgar práticas ligadas à magia e ao satanismo. No entanto, o Ministério Público concluiu que o crime ocorreu pela incapacidade do réu de aceitar o término do relacionamento, caracterizando feminicídio.