INVESTIGAÇÃO

Hacker acusado de invadir PF e Judiciário para ameaçar Felca é preso

A prisão ocorreu durante a Operação Medici Umbra, que desmantelou uma rede de hackers envolvidos em fraudes digitais

O youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca - Imagem: Reprodução / Instagram / @felca0

William Oliveira Publicado em 16/09/2025, às 13h16

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, nesta terça-feira (16), um indivíduo de 26 anos, identificado como “Jota”, suspeito de ser o principal responsável por vazamentos de informações sensíveis de sistemas governamentais e de segurança pública. O suspeito também é acusado de roubo de dados para ameaçar o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, após uma denúncia relacionada a adultização infantil.

Segundo as investigações, o hacker teria fornecido dados a criminosos, abrangendo informações de bases estratégicas que incluem sistemas da Polícia Federal (PF) e do Poder Judiciário, além de registros relacionados ao reconhecimento facial e ao controle de voos domésticos e internacionais. O acusado chegou a afirmar que extraiu aproximadamente 239 milhões de chaves Pix de um arquivo de 460 GB obtido através do sistema judiciário.

No esquema, o papel de “Jota” consistia em invadir sistemas e coletar dados, enquanto outros integrantes, conhecidos como “painelistas”, eram responsáveis pela revenda dessas informações em grupos do Telegram, cobrando taxas mensais de acesso às bases de dados. As investigações indicam que havia uma estrutura hierárquica bem definida dentro da organização criminosa.

O hacker cobrava cerca de R$ 1.000 por mês de cada cliente, enquanto um cúmplice, conhecido como “Menor”, oferecia serviços automatizados (bots) por R$ 50. Com mais de 200 grupos ativos, esse painelista movimentava aproximadamente R$ 10 mil por mês.

A prisão ocorreu durante a terceira fase da Operação Medici Umbra, denominada “A Fonte”, que mobilizou mais de 50 policiais e resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em estados como Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo.

Em São Paulo, um dos alvos da operação era um indivíduo diretamente envolvido na execução das fraudes; no Rio Grande do Norte, outro investigado estava desenvolvendo um sistema para fornecer informações a grupos no WhatsApp.

Os investigadores acreditam que o hacker detido também tenha fornecido dados para outros criminosos já presos em fases anteriores da operação, incluindo um hacker conhecido como Lammer, F4llen ou Lucifage, capturado em agosto em São Paulo. Este último liderava uma rede criminosa envolvida não apenas em fraudes, mas também em ameaças ao youtuber Felca, compartilhamento de material pedofílico e apologia ao nazismo.

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