O general da reserva Walter Souza Braga Netto ficará sob custódia do Exército, no Comando Militar do Leste
Marina Milani Publicado em 14/12/2024, às 08h18
a manhã deste sábado (14), o general da reserva Walter Souza Braga Netto foi preso pela Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, em Copacabana, no âmbito do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022. A PF também realizou buscas na residência do militar. Braga Netto ficará sob custódia do Exército, no Comando Militar do Leste.
A operação é parte de uma investigação que também envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid e outros ex-ministros e comandantes das Forças Armadas. Os crimes atribuídos incluem abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado e organização criminosa.
Conforme apurado pela PF, Braga Netto foi identificado como o arquiteto do golpe, sendo responsável pelo planejamento estratégico e pela coordenação de ações clandestinas. A investigação aponta que ele financiou manifestações golpistas, inclusive repassando dinheiro em espécie dentro de uma sacola de vinho.
Segundo delações premiadas, como a do tenente-coronel Mauro Cid, a residência de Braga Netto teria sido palco de uma reunião crucial em 12 de novembro de 2022. Nesse encontro, foi apresentado o planejamento das ações destinadas a impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva e a restringir o funcionamento do Poder Judiciário. Após a aprovação do plano, iniciou-se a execução das ações clandestinas e a mobilização de militares para participar das manifestações.
A investigação também aponta a existência de um gabinete de crise pós-golpe, com Braga Netto como coordenador geral e o general Augusto Heleno como integrante. Esse grupo teria buscado recrutar militares com treinamento especializado para sustentar o movimento golpista.
Além disso, o relatório conclui que aliados de Braga Netto atuaram para acessar ilegalmente informações da delação de Mauro Cid, o que reforça a narrativa de articulação criminosa em altos escalões.
A prisão do general acendeu um alerta no círculo próximo a Jair Bolsonaro. Nas últimas semanas, a defesa do ex-presidente adotou a estratégia de argumentar que, caso o golpe tivesse ocorrido, o principal beneficiado seriam os militares, e não Bolsonaro. Essa postura tem gerado tensões com os militares indiciados, que poderiam aderir a delações premiadas, ampliando as complicações legais para Bolsonaro.
A Polícia Federal justificou a prisão de Braga Netto apenas agora para evitar coincidências com o 13 de dezembro, data do AI-5, considerado um marco repressivo da ditadura militar. Além disso, a operação foi planejada para não expor o general à presença de familiares, visto que ele estava em viagem recente.