Crime Organizado

Fintech ligada ao PCC tentou articulação com Márcio França e João Doria, aponta polícia

Conversas encontradas em celular de ex-vereador indicam tentativa de aproximação política; investigados negam reuniões

Operação da Polícia Civil de São Paulo investiga fintech ligada ao Primeiro Comando da Capital - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 29/04/2026, às 09h58

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Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que uma fintech associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) tentou estabelecer contato com lideranças políticas de São Paulo, incluindo o ex-governador João Doria e o ex-ministro Márcio França.

As informações fazem parte da Operação Contaminatio, que investiga o uso da empresa 4TBank para intermediar contratos com prefeituras paulistas, especialmente na área de arrecadação de tributos. Segundo os investigadores, o objetivo seria utilizar a estrutura financeira para movimentar recursos ligados a atividades ilícitas.

As tentativas de aproximação foram identificadas em mensagens extraídas do celular do ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula, preso durante a operação. Ele é apontado como integrante de um suposto “núcleo político” vinculado à facção.

De acordo com documentos analisados pela polícia, um “plano de ação” elaborado pelo ex-parlamentar incluía esforços para viabilizar reuniões com integrantes do governo estadual à época. Entre os registros, consta a menção a uma tentativa de agenda com João Doria, então governador de São Paulo, além de articulações envolvendo aliados de Márcio França.

Em um dos relatórios, há referência a uma suposta “reunião de aproximação” no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Também aparecem planos para avançar em contatos com representantes do PSB estadual.

Procurados, ambos os políticos negaram qualquer envolvimento. Márcio França afirmou que não conhece os investigados e nunca manteve contato com integrantes do grupo. Já João Doria declarou que a reunião mencionada nos documentos nunca ocorreu.

A investigação também aponta a atuação de operadores financeiros ligados ao esquema, responsáveis por movimentar recursos por meio da fintech. Segundo a polícia, há indícios de que a estrutura era utilizada para lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.

Para os investigadores, o material apreendido revela uma tentativa organizada de infiltração em ambientes políticos, com o objetivo de ampliar a atuação da organização criminosa.

O caso segue em apuração e pode avançar para novas fases, com análise de documentos e quebras de sigilo autorizadas pela Justiça.

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