Troca de favores e lealdade familiar exposta em relatos de ex-membro de facção
Gabriela Nogueira Publicado em 02/11/2025, às 12h22
Um ex-membro de uma facção criminosa do Rio de Janeiro detalhou os bastidores de operações e confrontos recentes no Complexo da Penha, em relatos que lançam luz sobre a dinâmica interna do crime organizado na cidade.
Segundo a transcrição das declarações, o ex-integrante afirmou que “Marcinho V.P cag*u em todos os acessos do Complexo da Penha para poder liberar o Oruan, pra entregar o Doca”, descrevendo uma suposta movimentação estratégica dentro do grupo, marcada por troca de favores e proteção entre membros.
Ele ainda comentou que ações como a prisão de foragidos e de menores envolvem decisões complexas e arriscadas para os líderes da facção, mas que o vínculo familiar e de lealdade pesa nas decisões: “O pai faz qualquer coisa por um filho. Tem que se entender”.
O ex-integrante também destacou que a troca de informações e a cobertura entre criminosos é constante, e que mesmo quando alguns membros são capturados, a organização busca maneiras de manter o controle sobre o território. “Isso é troca de cabeça, no mundo do crime é isso”, disse ele, descrevendo a lógica interna do grupo.
Além disso, ele criticou a postura de autoridades e de familiares envolvidos nas tentativas de interferir em operações, mencionando ainda que houve tentativas formais de buscar apoio jurídico em instâncias superiores, como envio de ofício ao STF para conseguir entrevistas e defesa pública.
As declarações reforçam a complexidade das operações policiais e o desafio do Estado em lidar com facções armadas em comunidades do Rio, onde confrontos frequentes têm colocado moradores em risco.
Especialistas em segurança pública afirmam que relatos como este ajudam a entender não apenas a estrutura interna dessas organizações, mas também a necessidade de estratégias mais eficazes de prevenção e inteligência.