Investigação

Ex-assessora de Flávio é denunciada por suspeita de lavar dinheiro

Mãe do miliciano Adriano da Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães é acusada de integrar esquema ligado ao jogo do bicho

Senador Flávio Bolsonaro teve Raimunda Veras Magalhães como assessora entre 2016 e 2018 na Alerj. - Imagem: Reprodução/Agência Senado.

Erika Osti Publicado em 20/03/2026, às 15h32

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou na quinta-feira (19) a ex-assessora parlamentar Raimunda Veras Magalhães, que trabalhou no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho. Segundo a acusação, Raimunda, mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, morto em 2020, teria atuado diretamente na movimentação e ocultação de recursos obtidos em atividades ilegais controladas pelo grupo criminoso liderado pelo filho.

De acordo com o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado, Raimunda integrava uma rede de pessoas e empresas de fachada usada para dar aparência legal ao dinheiro ilícito. O esquema operava principalmente na Zona Sul do Rio, com foco em Copacabana, em parceria com o contraventor Bernardo Bello. As investigações apontam que mais de R$ 8,5 milhões foram movimentados em pouco mais de um ano.

Empreendimentos como bar, restaurante, distribuidora de bebidas e até um quiosque em shopping aparecem entre os negócios utilizados para circular os valores. Em um dos casos, uma conta vinculada a um serviço de estética teria registrado cerca de R$ 2 milhões em créditos em apenas seis meses, o que levantou suspeitas dos investigadores.

Raimunda trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio em 2015 e, no ano seguinte, passou a atuar no gabinete de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual pelo PP. Ela permaneceu no cargo até novembro de 2018, quando foi exonerada após o parlamentar ser eleito senador. À época, recebia cerca de R$ 6,5 mil mensais.

A denúncia também menciona a atuação de Julia Lotufo, viúva de Adriano, apontada como responsável por gerir os ativos do grupo após a morte do miliciano. Segundo o MP, ela teria participado da venda de imóveis e propriedades rurais ligados à organização, em um total estimado de R$ 3,5 milhões.

No total, 19 pessoas foram denunciadas na chamada Operação Legado, que resultou na expedição de mandados de prisão e de busca e apreensão. As acusações foram divididas em três frentes: lavagem de dinheiro, organização criminosa e ocultação de patrimônio.

O caso ocorre após o arquivamento, em 2021, de investigações relacionadas a suspeitas de “rachadinhas” no gabinete do parlamentar. Na ocasião, decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal anularam provas por falhas processuais, impedindo o julgamento do mérito.

Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não é investigado nem citado no caso. O texto ressalta que o vínculo profissional com Raimunda ocorreu há cerca de dez anos e não implica responsabilidade sobre eventuais atos cometidos por ela.

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