Polícia

Dupla é presa em São Paulo com grande estoque de ampolas para "canetas emagrecedoras" falsas

Operação policial foi desencadeada após denúncias anônimas sobre a venda de produtos de uso controlado sem autorização

A Anvisa impõe restrições rigorosas à manipulação de medicamentos, visando proteger a saúde pública e combater fraudes - Foto: Divulgação/ Anvisa

Redação Publicado em 02/11/2025, às 17h30

Na última quinta-feira (30), uma dupla foi levada à delegacia após militares encontrarem uma montanha de ampolas contendo substâncias que seriam usadas para montar e vender as populares “canetas emagrecedoras”.

A detenção aconteceu no bairro de São Mateus e marca mais um episódio de alerta sobre a produção e venda de medicamentos falsificados ou feitos de maneira ilegal. O material apreendido era usado pelos suspeitos para fabricar os dispositivos em um esquema totalmente clandestino.

Como a polícia chegou aos suspeitos

A Polícia Militar (PM) conseguiu chegar até o local da produção após receber várias denúncias anônimas. Além disso, a Agência Regional do CPA/M-9 repassou informações valiosas que apontavam para o transporte de produtos de uso controlado sem a devida permissão na área.

Com base nesses dados, a PM conseguiu abordar e checar dois carros suspeitos. Dentro de um dos veículos, os agentes encontraram muitas ampolas com as substâncias controladas. Questionados, os dois homens na hora admitiram que o objetivo era usar aquele material para produzir e vender canetas emagrecedoras sem autorização legal. Segundo o que eles contaram aos policiais, eles compravam os produtos de um mercado informal, faziam a divisão em doses menores, embalavam e depois revendiam.

Tanto os carros quanto todo o material ilegal foram apreendidos. A dupla foi encaminhada ao 49º Distrito Policial de São Mateus para o registro da ocorrência. Os dois permanecem agora à disposição da Justiça para responder pelo crime.

Entenda a proibição da Anvisa

É crucial lembrar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impôs restrições rigorosas à manipulação desses medicamentos. Em 25 de agosto, a agência proibiu a manipulação de fármacos chamados agonistas de GLP-1, que incluem nomes famosos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, usados para tratar diabetes tipo 2 e auxiliar na perda de peso.

Essa decisão faz parte de novas normas para a importação e produção de insumos que são a base dessas injeções. A Anvisa agiu com o objetivo de diminuir os riscos à saúde pública, já que a procura por esses produtos cresceu muito nos últimos tempos.

De acordo com as novas regras da agência, matérias-primas de origem biotecnológica (como as usadas nesses casos) só podem ser trazidas para o Brasil por empresas que tenham a devida autorização e, ainda assim, o insumo tem que ser o mesmo que já foi aprovado no processo de registro do medicamento de referência.

Farmácias de Manipulação não podem importar esses itens diretamente. Se comprarem o material de uma importadora autorizada, precisarão provar que fizeram testes mínimos de qualidade e seguir regras rigorosas para a preparação do produto de forma estéril.

Já Semaglutida, ingrediente ativo do Ozempic e do Wegovy, tem um status ainda mais restrito: a Anvisa deixou claro que sua manipulação está totalmente proibida no Brasil.

Mesmo para insumos obtidos por síntese química, a manipulação só é liberada se houver no país um remédio já registrado com a mesma molécula. Como atualmente não existe nenhuma versão sintética de semaglutida registrada, a manipulação dessa substância se torna inviável.

A medida da Anvisa foi bem recebida por importantes grupos de médicos, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), que veem a restrição como um avanço importante para garantir que essas terapias sejam usadas de forma mais segura.

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