Ex-executivos da Aegea relataram ao Ministério Público supostos pagamentos milionários ao deputado Juarez Costa (Republicanos-MT) quando ele era prefeito de Sinop. Parlamentar não comentou as acusações e empresa afirma ter superado práticas investigadas após acordos de colaboração.
Redação Publicado em 16/06/2026, às 11h54
Uma série de delações premiadas homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) colocou o deputado federal Juarez Costa (Republicanos-MT) no centro de um dos mais expressivos relatos de corrupção envolvendo o setor de saneamento básico no país.
Segundo depoimentos prestados por ex-executivos da Aegea, maior empresa privada de saneamento do Brasil, o parlamentar teria recebido aproximadamente R$ 30 milhões em vantagens indevidas ao longo de vários anos, além de um veículo BMW de luxo, em troca de medidas que beneficiariam interesses da companhia quando ele ocupava o cargo de prefeito de Sinop, em Mato Grosso.
As acusações foram apresentadas por cinco ex-dirigentes da empresa em acordos de colaboração firmados entre 2020 e 2021 e posteriormente homologados pelo STJ em 2025.
De acordo com os relatos, os supostos pagamentos teriam sido realizados por meio de diferentes mecanismos, incluindo entregas de dinheiro em espécie, utilização de empresas intermediárias e operações que, segundo os delatores, serviriam para mascarar repasses destinados a campanhas políticas.
Um dos depoimentos mais contundentes foi prestado pelo ex-presidente da companhia, Hamilton Amadeo, que afirmou ter autorizado pagamentos milionários ao então prefeito. Segundo ele, parte dos recursos teria sido destinada à quitação de despesas eleitorais.
Outro ponto que chama atenção é a suposta entrega de uma BMW solicitada diretamente pelo político em 2014. Conforme os relatos, o veículo teria sido adquirido como parte do esquema narrado pelos colaboradores.
Além das acusações envolvendo o automóvel, ex-executivos relataram entregas de dinheiro em cidades de Mato Grosso, São Paulo e até em Balneário Camboriú, no litoral catarinense. Um dos delatores afirmou que intermediários ligados ao então prefeito retiravam valores em espécie em encontros previamente combinados.
As delações também descrevem um sistema que utilizaria postos de combustíveis para simular operações comerciais e viabilizar repasses financeiros. Segundo os depoimentos, milhões de reais teriam sido movimentados dessa forma.
A Aegea atende atualmente cerca de 39 milhões de brasileiros em centenas de municípios e é uma das maiores concessionárias privadas do país. A companhia também possui participação societária da Itaúsa, holding ligada ao grupo Itaú.
Em nota divulgada anteriormente ao mercado, a empresa afirmou que os fatos investigados pertencem ao passado e destacou que adotou medidas de integridade e compliance após os acordos firmados com as autoridades.
O deputado Juarez Costa foi procurado para comentar as acusações. Até o momento, não houve manifestação pública sobre os relatos apresentados pelos ex-executivos.
As investigações seguem em andamento e as acusações ainda dependem de apuração e eventual confirmação judicial.