Relatório enviado à CPMI do INSS detalha transferências para empresas de Leonardo Valverde e amplia pressão sobre relações entre negócios e política
Redação Publicado em 26/03/2026, às 10h17
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras acendeu um novo alerta sobre movimentações financeiras envolvendo o grupo J&F Investimentos. Segundo o documento, a empresa realizou pagamentos considerados suspeitos que somam R$ 11 milhões ao empresário Leonardo Valverde.
As informações foram encaminhadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que investiga possíveis irregularidades envolvendo recursos e contratos com impacto na administração pública.
De acordo com o Coaf, as transferências ocorreram entre fevereiro e outubro de 2025 e foram direcionadas a duas empresas associadas a Valverde: a All Channel Publicidades Ltda. e a Alltec Ltda. Juntas, elas receberam valores expressivos em operações fracionadas.
Os registros apontam três principais movimentações: R$ 9,4 milhões em duas transações para a All Channel, R$ 1,2 milhão para a Alltec e outros R$ 385 mil também destinados à empresa de publicidade. As cifras e o padrão das operações levantaram suspeitas sobre a natureza dos pagamentos.
A All Channel, sediada em Brasília, atua no agenciamento de espaços publicitários, enquanto a Alltec, localizada em São Paulo, presta serviços de tecnologia da informação. Apesar das atividades distintas, ambas têm como beneficiário final o mesmo empresário.
O nome de Leonardo Valverde já circula com frequência nos bastidores políticos do Distrito Federal. Em 2025, ele ganhou notoriedade ao vender uma mansão ao deputado federal Arthur Lira por R$ 10 milhões, em um negócio que também envolveu financiamento junto ao Banco de Brasília.
Além disso, Valverde aparece em registros de eventos ao lado de figuras influentes, como o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o dirigente partidário Antonio Rueda, reforçando sua proximidade com círculos de poder.
Nos bastidores, o empresário chegou a ser cogitado como possível suplente do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que se prepara para disputar uma vaga no Senado.
O relatório do Coaf não conclui ilegalidades, mas destaca indícios que justificam aprofundamento das investigações. A análise dessas transações deve ganhar peso dentro da CPMI, especialmente diante do contexto político e das conexões entre os envolvidos.
Até o momento, nem a J&F nem Leonardo Valverde se manifestaram sobre os apontamentos.
O caso reforça o papel dos órgãos de controle no monitoramento de movimentações financeiras atípicas e amplia o debate sobre transparência nas relações entre grandes grupos econômicos e agentes com influência política.