Cabo da PM é preso por suspeita de integrar milícia de SP ligada ao Comando Vermelho

Investigação aponta que José Casemiro de Lima Júnior, o “Bigodeira”, teria ligação direta com a facção carioca, e estaria envolvido em execuções, uso de carros clonados e recebimento de propina

“Bigodeira” é alvo da Operação Hitman contra milícia ligada ao CV - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 11/09/2025, às 10h39

O cabo da Polícia Militar de São Paulo, José Casemiro de Lima Júnior, conhecido como Bigode ou Bigodeira, foi preso no início deste mês durante a segunda fase da Operação Hitman, que investiga a atuação de uma milícia formada por agentes de segurança no interior paulista com ligação direta ao Comando Vermelho (CV), facção criminosa do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Civil, Casemiro mantinha vínculos pessoais e operacionais com Carlos Alexandre dos Santos, o Bicho, apontado como um dos líderes do grupo, preso desde fevereiro. Bicho é considerado o principal executor e articulador da milícia, composta por policiais militares e guardas civis.

O delegado Leonardo Burger, da DIG/Dise de Limeira, explicou, à época da primeira fase da Operação Hitman, que os agentes públicos investigados atuavam em diversas frentes criminosas.

“Eles têm participação no tráfico de drogas, associação com o tráfico e adulteração de sinais de veículos automotores. Além disso, começaram a praticar crimes graves, incluindo homicídios contra membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), com o objetivo de dominar territórios. Em tese, esses indivíduos executam essas ações de forma planejada”, afirmou.

PM ligado a crimes violentos

As provas reunidas pela polícia também sugerem que a participação de “Bigodeira” ia além do uso de veículos clonados. Ele teria atuado na logística de crimes violentos, entre eles a tentativa de homicídio contra uma mulher de 31 anos.

Imagens de câmeras de segurança flagraram o cabo conduzindo um carro dublê minutos após a ação criminosa e entrando no condomínio de Bicho. O grupo utilizava a estratégia de abandonar o veículo usado nos homicídios e garantir a fuga dos executores em outro automóvel, conduzido por um terceiro.

Conluio com o tráfico

Mensagens extraídas do celular de Bicho ainda revelaram que Casemiro recebia pagamentos de propina de um traficante conhecido como Machado dos Prédios, o que, segundo os investigadores, demonstra a relação entre agentes públicos e o braço do Comando Vermelho em São Paulo para assegurar o funcionamento do tráfico de drogas livre da fiscalização policial.

Prisão e acusações

Diante das evidências, o cabo José Casemiro foi indiciado e preso preventivamente. Ele responde por associação criminosa, adulteração de sinais identificadores de veículo, falsidade ideológica, prevaricação e possível participação em crimes violentos, incluindo tentativa de homicídio e apoio logístico a execuções.

Atualmente, ele e Carlos Alexandre dos Santos, o Bicho, estão detidos no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. Além das prisões, a Justiça expediu mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo bancário e prisão temporária para os investigados.

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