Depois de quatro meses presa e ainda respondendo à Justiça, Natacha Horana retorna à passarela do samba e diz que desfile simboliza liberdade e recomeço
Redação Publicado em 09/02/2026, às 09h53
A avenida como ponto final de um dos capítulos mais delicados de sua vida. A atriz e dançarina Natacha Horana, de 33 anos, voltou a desfilar pela Gaviões da Fiel no Carnaval de São Paulo de 2026 após passar quatro meses presa, investigada por suspeita de envolvimento indireto com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Detida em novembro de 2024 durante a Operação Argento, Natacha foi acusada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte de ter contas usadas para lavagem de dinheiro ligada a Valdeci Alves dos Santos, conhecido como Colorido, com quem manteve um relacionamento. Ela sempre negou participação em qualquer atividade criminosa e afirma ter sido enganada.
Solta em março de 2025, a musa voltou à quadra da escola ainda em processo de recuperação emocional. Segundo ela, o retorno ao Sambódromo do Anhembi representa mais do que um desfile: é uma retomada de identidade.
“Estar na Avenida agora é como um renascimento. É liberdade. Passei por algo muito pesado e hoje estou reconquistando minha vida”, afirmou.
Natacha contou que acompanhou o Carnaval do ano passado de dentro da penitenciária, já com a fantasia pronta, aguardando uma decisão judicial que não chegou a tempo. “Se eu tivesse sido solta naquele sábado, eu teria desfilado”, relembrou.
Investigação e defesa
O Ministério Público aponta que, entre 2014 e 2024, houve movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada da bailarina. A defesa sustenta que os valores são fruto de trabalhos artísticos, publicidade e apresentações ao longo da carreira.
Apesar da liberdade, Natacha ainda responde por lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e associação criminosa. O processo segue em tramitação, e a defesa afirma confiar na absolvição.
Saúde mental e recomeço
A experiência no sistema prisional, segundo ela, deixou marcas profundas. A musa relatou episódios de depressão e síndrome do pânico, além de dificuldades básicas enfrentadas durante o período de detenção.
A volta à Gaviões, no entanto, foi descrita como terapêutica. “A dança me salvou. Voltar ao palco, às pessoas que amo, foi parte da minha recuperação”, disse.
Além do retorno ao samba, Natacha afirma trabalhar em um livro de memórias sobre a experiência na prisão e em um projeto social voltado a mulheres egressas do sistema prisional, oferecendo apoio psicológico e jurídico.
O desfile
A Gaviões da Fiel entra na avenida na madrugada do dia 14, com o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, que celebra a luta e o legado dos povos indígenas. Natacha desfila à frente da décima ala e promete uma fantasia inédita, com efeitos especiais.
“É uma estreia com peso de recomeço”, resume.