Namoro Virtual

Adolescente que matou família tramava nova chacina, aponta delegado

Motivação do crime está ligada a um plano elaborado entre o jovem e sua namorada; adolescente de 14 anos é acusado de matar pais e irmão

Mensagens perturbadoras entre o casal mostram a premeditação do crime - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 02/07/2025, às 11h17

A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso divulgou nesta segunda-feira (1º) os desdobramentos de um crime brutal que chocou o país. Um adolescente de 14 anos é o principal suspeito de assassinar o pai, a mãe e o irmão caçula, de apenas três anos, em Itaperuna, interior do Rio de Janeiro. A motivação, segundo as autoridades, estaria ligada a um plano arquitetado junto de uma adolescente de 15 anos, residente em Água Boa (MT), com quem o jovem mantinha um relacionamento virtual havia seis anos.

O casal se conheceu ainda na infância, por meio de um jogo online. Ao longo dos anos, o vínculo evoluiu para um namoro à distância. A investigação conduzida pela Polícia Civil aponta que a família do jovem resistia à sua intenção de viajar ao Mato Grosso para conhecer pessoalmente a namorada, o que teria motivado o crime.

Em depoimento, a adolescente admitiu ter incentivado o plano homicida. Mensagens trocadas entre os dois, descritas como "perturbadoras" pela equipe de investigação, revelam frieza e premeditação.

“A frieza com que conversavam sobre matar os pais e se livrar dos corpos é assustadora”, declarou o delegado Matheus Soares Augusto.

Em uma das mensagens enviadas no dia 21, data do crime, o adolescente escreveu: "Atirei no meu pai", recebendo como resposta da garota: "Agora atira nela", referindo-se à mãe. O menino de três anos foi a terceira vítima da chacina.

As investigações também apontam que o casal planejava, após o reencontro, matar os pais da adolescente. “O objetivo deles era ficar juntos e eliminar todos aqueles que os impedissem de viver esse amor proibido”, afirmou o delegado.

Execução e encobrimento

Segundo os levantamentos da Polícia Civil do Rio, o jovem utilizou uma arma registrada em nome do pai, praticante de tiro esportivo, para cometer os homicídios enquanto os familiares dormiam. Após o crime, ocultou os corpos na cisterna da residência.

No dia seguinte, acompanhado da avó, dirigiu-se à delegacia alegando que os pais haviam saído para levar o irmão ao hospital após um acidente com vidro — e não retornaram. A versão, no entanto, logo apresentou inconsistências.

Durante buscas na casa da família, os agentes encontraram manchas de sangue em colchões, roupas com sinais de queimadura e uma mala contendo celulares. O forte odor vindo da cisterna levou à localização dos corpos. Diante das evidências, o adolescente confessou o crime.

O celular do jovem revelou pesquisas sobre como sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de falecidos. A polícia investiga se o acesso aos R$ 33 mil disponíveis na conta do pai fazia parte do plano para financiar sua viagem até o Mato Grosso.

Apreensão e medidas

A adolescente cúmplice foi apreendida nesta segunda-feira (30) em Água Boa, após decisão judicial solicitada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. O computador da jovem foi recolhido e periciado, com registros que reforçam sua participação no crime.

O adolescente foi detido no dia 25 e transferido em 27 de junho para uma unidade de internação provisória em São Fidélis, no Norte Fluminense. Ele permanecerá sob custódia por até 45 dias, enquanto a Justiça define as medidas socioeducativas cabíveis.

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