Levantamento aponta que ao menos 135 autoridades e servidores receberam autorização para participar do Fórum de Lisboa, evento ligado ao ministro Gilmar Mendes; apenas TCU e Tribunal de Justiça do Piauí preveem gasto conjunto de R$ 692 mil em diárias..
Ana Beatriz Publicado em 01/06/2026, às 14h31
O contribuinte brasileiro deverá arcar com parte dos custos da participação de autoridades, magistrados e servidores públicos no Fórum de Lisboa, em Portugal, evento que começa nesta segunda-feira, 1º de junho, e se estende até quarta-feira, 3. Conhecido nos bastidores políticos e jurídicos como “Gilmarpalooza”, o encontro é organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em parceria com instituições acadêmicas portuguesas.
Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo identificou que pelo menos 135 autoridades e funcionários públicos dos três Poderes tiveram viagens autorizadas para participar do evento. Os nomes foram localizados em diários oficiais e portais de transparência de órgãos federais, estaduais e municipais. O número, no entanto, pode ser ainda maior, já que diversos órgãos não divulgaram integralmente os gastos ou a lista completa de participantes.
Os maiores valores divulgados até o momento envolvem o Tribunal de Justiça do Piauí e o Tribunal de Contas da União. O tribunal piauiense autorizou o envio de uma comitiva de 13 integrantes e reservou aproximadamente R$ 392 mil apenas para o pagamento de diárias internacionais. Já o TCU autorizou a participação de 13 representantes, incluindo quatro ministros, com previsão de gasto de R$ 300 mil em diárias. Somados, os dois órgãos devem desembolsar cerca de R$ 692 mil em recursos públicos.
A Advocacia-Geral da União aparece entre os órgãos com maior número de autorizações de viagem, com ao menos 22 representantes liberados para participar do encontro. Os custos dessas viagens ainda não haviam sido detalhados nos sistemas oficiais consultados pela reportagem.
O Fórum de Lisboa reúne anualmente ministros de tribunais superiores, parlamentares, integrantes do Executivo, advogados, empresários e acadêmicos. A edição de 2026 tem como tema “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais” e prevê mais de 70 painéis e cerca de 470 palestrantes ao longo dos três dias de programação.
A organização do evento afirma que o fórum possui caráter estritamente acadêmico e que a participação de agentes públicos ocorre por decisão autônoma dos respectivos órgãos aos quais estão vinculados. Em nota, os organizadores afirmaram que não possuem ingerência sobre autorizações administrativas, afastamentos funcionais ou eventuais custeios realizados por órgãos públicos.
Nos últimos anos, o encontro passou a chamar atenção pelo elevado número de autoridades presentes e pelos eventos paralelos realizados fora da programação oficial, tornando-se um dos principais pontos de encontro entre integrantes do Judiciário, da política e do setor empresarial brasileiro no exterior. O apelido “Gilmarpalooza” surgiu justamente em referência à dimensão que o evento alcançou nos bastidores de Brasília.