Governador paulista celebra operação dos EUA, critica aliados do chavismo e contrasta discurso com a condenação feita por Lula ao ataque americano
Marina Milani Publicado em 04/01/2026, às 09h03
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), celebrou neste sábado (3) a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado por forças dos Estados Unidos após uma operação militar em Caracas. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Tarcísio afirmou que a ação simboliza o fim de uma ditadura e representa uma oportunidade de reconstrução para o povo venezuelano.
“Hoje o mundo amanheceu com uma imagem simbólica: um ditador cruel e corrupto capturado. Durante anos, milhões de venezuelanos também foram capturados pela miséria, pela repressão e pela perda da esperança”, afirmou o governador.
Segundo ele, a queda do regime chavista não apaga os danos causados ao país, mas abre espaço para um novo ciclo. “Não devolve o tempo perdido nem as histórias interrompidas, mas abre uma janela de esperança: a possibilidade de vencer o terror, reencontrar a liberdade e reconstruir o futuro.”
No pronunciamento, Tarcísio responsabilizou a ditadura de Maduro pela destruição das instituições venezuelanas e pelo colapso econômico e social do país. Ele citou a repressão a opositores, a perda de direitos políticos e o êxodo de milhões de cidadãos como marcas do regime.
O governador também criticou o que chamou de conivência e apoio internacional ao chavismo. Em um dos trechos do vídeo, foi exibida uma gravação antiga do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumprimentando Maduro.
Mais cedo, Lula condenou oficialmente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, afirmando que a ação ultrapassa os limites aceitáveis do direito internacional e fere a soberania de um país. A fala de Tarcísio, portanto, expôs um contraste direto entre o Palácio dos Bandeirantes e o Planalto.
Ao encerrar a declaração, o governador paulista adotou um discurso com tom claramente político e eleitoral. “Que 2026 comece agora. A Venezuela começa a se libertar da esquerda. E, no fim do ano, o Brasil também vence”, afirmou.
A manifestação de Tarcísio ocorreu no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a captura de Nicolás Maduro e anunciou que Washington irá administrar a Venezuela de forma interina, até a formação de um novo governo.
Segundo Trump, um grupo formado por integrantes do alto escalão do governo americano será responsável pela condução do país durante o período de transição. Ele também anunciou a entrada de petroleiras norte-americanas em solo venezuelano e afirmou que os Estados Unidos ampliarão sua influência estratégica no Hemisfério Ocidental.
O presidente americano invocou a Doutrina Monroe e declarou que o “domínio americano na região não será mais questionado”.
O governo venezuelano reagiu declarando estado de comoção externa, acusando os Estados Unidos de invasão e de agir motivados por interesses econômicos, especialmente o controle das reservas de petróleo. Autoridades afirmaram que os ataques atingiram áreas urbanas e provocaram mortes de civis, além de quedas de energia em Caracas.
A vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu prova de vida de Maduro e afirmou que o país se reserva o direito de exercer legítima defesa.