Violência brutal

Suspeitos de estupro coletivo contra crianças não demonstram remorso, diz polícia

Adulto apontado como principal envolvido foi preso; investigação apura divulgação de vídeo nas redes

Polícia Civil continua apurando o caso e busca reunir provas para responsabilizar todos os participantes do crime - Imagem: Reprodução/Julia Gandra/Metrópoles

Letícia Sales Publicado em 06/05/2026, às 09h59

A Polícia Civil afirma que os suspeitos de envolvimento no estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, não demonstraram arrependimento durante as investigações. O caso ocorreu na zona leste de São Paulo e é tratado como de extrema gravidade pelas autoridades.

Segundo o delegado Júlio César Geraldo, responsável pelo inquérito, os envolvidos demonstraram preocupação apenas com as consequências legais.

“Eu não consigo afirmar que qualquer um deles tenha apresentado arrependimento ou remorso. Eles se sentem mais arrependidos pelas consequências que estão vivendo. Mas, em momento nenhum, se percebe qualquer espécie de sentimento pelo sofrimento das crianças”, afirmou.

Como o crime aconteceu

De acordo com a investigação, as vítimas foram atraídas no dia 21 de abril após um convite feito por um grupo formado por quatro adolescentes e um adulto. A aproximação teria ocorrido de forma gradual, com promessas simples para convencer as crianças.

“Um deles, segundo os adolescentes disseram, estava sujo, estava fedido, e eles convidaram o garoto para tomar banho, buscar uma linha de pipa. A ideia é que passariam na casa, buscariam uma linha de pipa e, em seguida, tomariam banho”, explicou o delegado.

No imóvel, os abusos ocorreram e foram registrados em vídeo. As imagens foram posteriormente compartilhadas em aplicativos de mensagens e acabaram circulando nas redes sociais, o que levou à identificação de uma das vítimas por familiares e ao registro da ocorrência dias depois.

Adulto preso e investigação em andamento

O único adulto apontado como participante do crime, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi preso no interior da Bahia e transferido para São Paulo. Durante o depoimento, ele admitiu ter gravado o vídeo, mas tentou justificar a ação.

“Ele afirmou à polícia que reconhece a autoria daquele vídeo, só que disse que seria uma brincadeira. Isso, obviamente, não é aceito como justificativa”, disse o delegado.

A Justiça decretou a prisão temporária do suspeito, que deve responder por crimes relacionados ao abuso, à produção e à divulgação do material, além de corrupção de menores.

O caso é investigado pelo 63º Distrito Policial de São Paulo. Todos os adolescentes envolvidos já foram apreendidos, alguns deles entregues pelos próprios familiares após negociação com a polícia.

Próximos passos

As autoridades agora concentram esforços em identificar outras pessoas que possam ter compartilhado as imagens nas redes sociais. A divulgação desse tipo de conteúdo configura crime e pode ampliar o número de envolvidos no caso.

O inquérito segue em andamento, e a polícia trabalha para reunir todas as provas necessárias para responsabilizar os participantes.

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