Estado em Alerta

SUS registra salto de 44% em atendimentos por acidentes em SP

De acordo com a SES-SP, acidentes com veículos automotores geraram despesas superiores a R$ 130 milhões em 2023 e 2024

Região metropolitana concentrou os maiores custos - Imagem: Reprodução / Freepik

William Oliveira Publicado em 20/05/2025, às 08h00

Estudos das Associações Brasileiras de Medicina do Tráfego (Abramet) e de Medicina de Emergência (Abramede) revelam um aumento alarmante de 44% no número de atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados a acidentes de trânsito no estado de São Paulo na última década.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2015, cerca de 157,6 mil pessoas buscaram atendimento médico por lesões causadas por acidentes. Em 2024, esse número saltou para 227,6 mil, evidenciando a gravidade da crise na mobilidade urbana. Apenas entre 2023 e 2024, houve um crescimento de 8,2%, passando de 210,2 mil para 227,6 mil casos.

O presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, classificou a situação como uma “epidemia silenciosa”, alertando para a sobrecarga nas emergências hospitalares. “As emergências estão lotadas de vítimas de circunstâncias evitáveis, com um custo humano, social e econômico altíssimo”, destacou. Já Camila Lunardi, presidente da Abramede, cobrou ações urgentes do poder público e da sociedade para conter essa escalada de acidentes.

Custo para o SUS ultrapassa R$ 130 milhões

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) estima que os acidentes com veículos automotores geraram despesas superiores a R$ 130 milhões em 2023 e 2024, incluindo internações e consultas. Mais de 118 mil atendimentos foram registrados nesse período, a maior parte causada por colisões com motocicletas.

Do total, mais de 109 mil casos exigiram atendimento hospitalar, enquanto os acidentes envolvendo automóveis somaram cerca de 9 mil registros. Muitos pacientes precisaram de cirurgias complexas, internações prolongadas e acompanhamento médico de longo prazo.

A região metropolitana concentrou os maiores custos: a Grande São Paulo acumulou R$ 47,3 milhões em gastos. Outras cidades também apresentaram cifras elevadas, como São José do Rio Preto (R$ 9 milhões), Campinas (R$ 7,5 milhões), Sorocaba (R$ 7,4 milhões) e Taubaté (R$ 6,5 milhões).

Ricardo Wosniak, diretor do pronto-socorro adulto do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, destacou que os acidentes de trânsito são a segunda principal causa de morte externa no Brasil, atrás apenas dos homicídios com armas de fogo. “A cada hora, cerca de 20 pessoas são internadas no SUS por esse motivo”, alertou.

Wosniak também reforçou a importância do uso de equipamentos de segurança, como cintos e capacetes, além do respeito às leis de trânsito e aos limites de velocidade.

Meira Júnior lamentou o impacto financeiro sobre o sistema público: “Ver tantos recursos sendo consumidos por tragédias evitáveis no trânsito é frustrante, porque sabemos que esse valor poderia estar sendo investido em melhorias que beneficiariam todo o sistema de saúde e salvariam ainda mais vidas”.

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