Rede Criminosa

Saiba como operava a central de golpes desarticulada na Faria Lima

Nesta quinta-feira (22), a Polícia Civil desarticulou uma central de golpes que enganava idosos para aplicar fraudes eletrônicas; 12 suspeitos foram presos

Avenina brigadeiro Faria Lima, em São Paulo - Imagem: Divulgação

William Oliveira Publicado em 23/01/2026, às 12h24

Na última quinta-feira (22), a Polícia Civil de São Paulo desarticulou uma sofisticada “central de golpes”, instalada em um edifício comercial na Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos principais polos financeiros da capital paulista.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, a operação resultou na prisão de 12 indivíduos, integrantes de uma equipe que contava com aproximadamente 100 pessoas. Os criminosos utilizavam mais de 400 computadores para executar fraudes eletrônicas.

A investigação revelou que os golpistas obtinham dados pessoais de forma ilegal, visando principalmente idosos. As vítimas eram abordadas sob o pretexto de recuperação de supostos “créditos podres”, sendo convencidas a efetuar pagamentos indevidos.

Modus operandi

O esquema criminoso iniciava com o envio de mensagens enganosas que simulavam:

Após esse primeiro contato, as vítimas eram direcionadas para atendimentos telefônicos, onde os criminosos se apresentavam como integrantes de setores jurídicos e de cobrança, utilizando táticas intimidatórias que incluíam ameaças de:

Um dos documentos apreendidos pela polícia continha texto padrão usado nas cobranças:

“O motivo do contato é referente a uma liminar expedida junto ao TJA (Tribunal de Justiça Arbitral) no CPF [número do CPF] onde foi solicitado o bloqueio de contas e benefícios governamentais a partir das 14h.”

Tela da central de golpes encontrada pelo Deic na Av. Brigadeiro Faria Lima - Imagem: Divulgação / Deic

 

Diante do clima de medo gerado pelos golpistas, muitas vítimas acabavam transferindo valores aos falsos cobradores.

Central de golpes

As investigações mostraram que os criminosos criaram uma rede complexa de empresas, compartilhando sócios, endereços e dados operacionais, sendo algumas registradas em nome de laranjas.

A central foi estrategicamente localizada para conferir aparência de legitimidade. No mesmo endereço, funcionava uma empresa mista, com parte das atividades legítimas e outra parte dedicada à execução dos golpes.

Durante a operação, a polícia apreendeu documentos utilizados nas interações com as vítimas. A ação integra a Operação “Título Sombrio”, conduzida pela 4ª Delegacia da DCCIBER (Divisão de Combate à Lavagem e Ocultação de Ativos Ilícitos por Meios Eletrônicos).

Além disso, uma incursão em Carapicuíba, na Grande São Paulo, revelou outra unidade do mesmo grupo criminoso em funcionamento.

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