Companhia não atinge objetivos pelo segundo ano seguido e reservatórios voltam a níveis críticos desde 2015
Marina Milani Publicado em 22/10/2025, às 18h09
A Sabesp não conseguiu cumprir, pelo segundo ano consecutivo, as metas de redução de perdas de água tratada na Grande São Paulo. Dados oficiais de 2023 e 2024 mostram que o volume desperdiçado segue acima do previsto, enquanto os reservatórios da região atingem o menor nível desde a crise hídrica de 2015.
De acordo com a companhia, o Sistema Integrado Metropolitano opera atualmente com 29,1% da capacidade total. Entre os principais mananciais, o Cantareira e o Alto Tietê apresentam situação mais crítica, com 24,6% e 23,2%, respectivamente. Já Guarapiranga e São Lourenço registram pouco mais de 47%, e o Rio Grande, com 54,5%, é o que apresenta melhor desempenho.
As metas não alcançadas refletem um problema persistente. A Sabesp havia projetado reduzir as perdas para 248 litros diários por ligação até 2023, mas o índice real ficou em 260 litros. Em 2024, a nova meta era 245 litros, mas o resultado subiu para 262 litros, contrariando as expectativas.
Apesar do desempenho abaixo do planejado, o índice de perdas da Sabesp (29,4%) ainda é inferior à média nacional, estimada em 37,8%, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
A empresa atribui parte do desperdício a vazamentos em adutoras antigas e ligações clandestinas. Desde 2009, afirma ter investido R$ 14 bilhões em ações de combate às perdas. Após a desestatização, em 2024, a companhia diz já ter destinado R$ 1 bilhão apenas na Região Metropolitana, com foco na substituição de tubulações, ampliação de tecnologias de detecção de vazamentos e aumento de 57% nas multas por irregularidades.
Uma das principais estratégias adotadas tem sido a redução da pressão da água nas tubulações durante a madrugada — medida que economiza recursos, mas causa falta d’água em áreas mais altas e periféricas, onde muitas residências ainda não têm caixa-d’água.