A concessionária de energia deve apresentar plano de contingência e relatório de investimentos em 72 horas
William Oliveira Publicado em 24/09/2025, às 08h00
A Coordenadoria de Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon) notificou a Enel, responsável pela distribuição de energia elétrica na capital, dando prazo de 72 horas para que a empresa apresente esclarecimentos sobre a falta de ações efetivas após o temporal que atingiu a cidade na última segunda-feira (23).
O órgão solicitou detalhes sobre as interrupções no fornecimento, eventuais falhas na adoção de medidas de redução de danos e a morosidade na recuperação do serviço. Também requisitou dois documentos: um plano de contingência atualizado, com estratégias para enfrentar eventos climáticos severos, e um relatório dos investimentos realizados no último ano, incluindo obras, tecnologias adotadas, recursos aplicados e resultados obtidos na melhoria da qualidade do fornecimento.
Na terça-feira (24), a Enel declarou que 95% dos clientes afetados já tinham tido o serviço restabelecido até as 17h. Segundo a empresa, mais de 1.300 equipes foram mobilizadas em campo, permitindo a retomada da energia em menos de 24 horas para a maior parte das unidades atingidas, em comparação com eventos semelhantes anteriores.
A concessionária atribuiu o desempenho a investimentos contínuos na resiliência da rede, melhorias operacionais, contratação de 1.200 novos colaboradores, ampliação da frota de geradores para 700 unidades e reforço nos serviços de poda preventiva.
Apesar disso, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) criticou a companhia, afirmando que a demora no desligamento da energia em alguns pontos atrapalhou a remoção de árvores. Em resposta, a Enel disse que sempre atua em conjunto com a Defesa Civil e outros órgãos públicos nessas situações.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a região metropolitana registrou 332 chamados por queda de árvores e 16 ocorrências de desabamentos e enchentes. Um gabinete de crise foi acionado para lidar com possíveis emergências.
A Defesa Civil alertou ainda para a chegada de uma nova frente fria, com risco de chuvas intensas, tempestades e ventos fortes em várias regiões, incluindo a capital, Campinas e Sorocaba. Entre domingo (21) e segunda (22), oito pessoas ficaram feridas devido às chuvas, e 12 ficaram desalojadas. Não houve mortes nem desaparecidos. O município de Peruíbe foi o mais afetado, com cinco feridos após a queda da estrutura de um evento cultural.