ATUALIZAÇÃO

Polícia prende sexto suspeito em caso de PM morto em Embu-Guaçu

O cabo da Polícia Militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, foi encontrado morto em 11 de janeiro em uma área de mata em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo

Cabo Fabrício Santana - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal / TV Globo / João Netto

William Oliveira Publicado em 21/01/2026, às 09h28

Na última terça-feira (20), a Polícia Civil prendeu o proprietário do bar onde o cabo da Polícia Militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, foi visto pela última vez antes de desaparecer. O policial foi encontrado morto em uma área de mata em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, no dia 11 de janeiro. A prisão representa o sexto suspeito detido no curso das investigações.

De acordo com a polícia, o comerciante foi identificado como dono do estabelecimento onde Fabrício teria sido rendido por criminosos. A residência do suspeito passou por perícia detalhada, com uso de luminol, para identificar possíveis vestígios de sangue ou outros indícios relacionados ao crime.

Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão temporária do investigado, que foi cumprida durante uma operação conjunta. As autoridades apuram a participação do comerciante na logística do sequestro e do homicídio do policial.

As investigações indicam que o cabo Fabrício pode ter sido assassinado por determinação do crime organizado, após uma discussão com um traficante em uma comunidade da Zona Sul da capital paulista. Além do dono do bar, outros suspeitos estão presos temporariamente, incluindo o caseiro do sítio onde o corpo foi localizado, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Um laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) confirmou a identidade da vítima por meio de impressões digitais e apontou sinais de traumatismo cranioencefálico e tortura.

O corpo foi encontrado após denúncias anônimas que levaram policiais e cães farejadores até a área de mata. Mais de 80 agentes participaram das buscas pelo militar.

Fabrício estava de férias no período do desaparecimento e prestes a se casar no civil dois dias depois. Ele visitava o pai e o filho em uma região próxima à Estrada do M’Boi Mirim quando desapareceu.

O caso

O cabo Fabrício foi visto pela última vez nas proximidades da comunidade Horizonte Azul. Testemunhas relataram que ele passou a madrugada em um bar local e discutiu com um traficante. Durante a altercação, o policial teria revelado que era integrante da Polícia Militar, o que despertou a atenção dos criminosos.

Antes de desaparecer, Fabrício entrou em contato com o irmão para relatar o desentendimento e a ameaça de ter sua identidade exposta, o que poderia colocar sua família em risco. Ele afirmou que seguiria para uma adega do bairro para tentar resolver a situação, mas não foi mais visto.

A investigação aponta que, após deixar o bar, um homem que estava com Fabrício foi coagido por traficantes a retornar com ele à comunidade. Em depoimento, esse indivíduo afirmou ter agido sob ordens do crime organizado.

Segundo relatos colhidos pela polícia, o PM foi informado de que seria executado por ser policial em uma área dominada pelo tráfico. Imagens de câmeras de segurança mostram o carro de Fabrício circulando na região no dia seguinte ao desaparecimento, sendo seguido por um veículo preto.

Após identificar o proprietário desse veículo, policiais realizaram buscas em sua residência e encontraram galões com odor de gasolina no porta-malas. Em depoimento, o suspeito afirmou ter acompanhado um cúmplice que conduzia o carro do PM até uma área de mata com a intenção de incendiá-lo.

Veículo foi encontrado carbonizado - Imagem: Reprodução

 

O automóvel de Fabrício foi localizado completamente queimado no dia 8 de janeiro, em Itapecerica da Serra. Dos três principais suspeitos ligados diretamente ao desaparecimento, um é o traficante envolvido na discussão, outro foi flagrado seguindo o veículo da vítima, e o terceiro é um conhecido do policial.

Crime organizado desaparecimento Prisão homicídio TRAFICANTES BAR Investigação Polícia Militar polícia civil Grande São Paulo Embu-Guaçu Fabrício Gomes de Santana

Leia também