Relatório da Polícia Civil cita repasses milionários, ligação com operadores financeiros do grupo criminoso e proximidade com aliados de Marcola
Letícia Sales Publicado em 21/05/2026, às 11h49
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi apontada pela Polícia Civil como integrante do Primeiro Comando da Capital em relatório produzido no âmbito da Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21).
A investigação afirma que Deolane ocupava posição estratégica em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa e teria recebido valores provenientes de uma transportadora apontada como braço financeiro do PCC.
Segundo os investigadores, a empresa teria sido adquirida a mando de Marco Willians Herbas Camacho e de seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.
Inicialmente, a influenciadora era tratada apenas como advogada de integrantes da organização criminosa. No entanto, de acordo com a polícia, a análise das movimentações financeiras indicou uma atuação mais profunda dentro da estrutura do grupo.
Pagamentos sem justificativa legal
Os investigadores afirmam que os repasses feitos para Deolane apareciam como “acertos” ou “fechamentos” da facção e não possuíam relação comprovada com serviços advocatícios ou outras atividades lícitas.
A polícia identificou dezenas de transferências consideradas suspeitas e afirma que os pagamentos faziam parte de uma engrenagem criada para fragmentar a trilha do dinheiro e dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
Ligação com operador financeiro do PCC
A investigação chegou até Deolane por meio de Everton de Souza, apontado como operador financeiro do PCC e responsável pela gestão de bens e fluxos de dinheiro ligados à cúpula da facção.
Segundo a Polícia Civil, Everton mantinha uma relação próxima com Deolane e atuava na administração indireta de uma transportadora utilizada como empresa de fachada.
De acordo com o relatório, Everton orientava o administrador operacional da empresa a realizar depósitos nas contas da influenciadora. Ao todo, foram identificadas 34 transações consideradas suspeitas pelas autoridades.
A investigação também aponta que ambos utilizavam os serviços do contador Eduardo Affonso Rodrigues, responsável por abrir e manter empresas classificadas pelos investigadores como “espelho”, usadas para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.
Relação pessoal e patrimonial
Os investigadores afirmam que Deolane também apareceu como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências envolvendo o operador financeiro.
Em depoimento, Everton declarou que alugava um apartamento da influenciadora no bairro do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, pelo valor de R$ 5 mil mensais.
Segundo a polícia, relatos de ex-integrantes da facção e registros em redes sociais indicam uma relação próxima entre os dois, incluindo participação de Everton em eventos familiares da advogada.
Investigação começou em 2019
As investigações tiveram início após a apreensão de bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista, em 2019.
Os manuscritos continham referências à estrutura do PCC e possíveis ataques contra agentes públicos. A partir daí, a polícia identificou menções a uma “mulher da transportadora”, o que levou os investigadores à empresa apontada como braço financeiro da facção.
Na segunda fase da operação, batizada de Lado a Lado, a polícia identificou crescimento patrimonial sem lastro econômico e movimentações financeiras incompatíveis.
Já na atual etapa da investigação, as autoridades afirmam ter encontrado indícios de circulação milionária de dinheiro, aquisição de bens de luxo e conexões diretas com integrantes da cúpula do PCC.