Polícia afirma que vereador do PT foi condenado à morte pelo PCC e acabou "perdoado" após acordo

Investigação do Ministério Público e da Polícia Civil aponta que o vereador paulistano Senival Moura integra esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no transporte público. Segundo os investigadores, ele teria sido jurado de morte pela facção após um desvio milionário.

Segundo a Polícia Civil, o vereador teria sido condenado à morte pelo PCC após um desvio de recursos, mas acabou "perdoado" - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 26/06/2026, às 14h12

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O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) tornou-se um dos principais alvos da Operação Última Parada, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo empresas de transporte coletivo da capital paulista. A operação foi realizada na quinta-feira (25) e resultou na prisão temporária do parlamentar e de outros investigados.

Durante entrevista coletiva, o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, revelou uma informação que chamou a atenção dos investigadores: segundo a Polícia Civil, Senival Moura chegou a ser condenado à morte pelo PCC após suspeitas de desvio de recursos dentro da empresa Transunião.

De acordo com a investigação, a facção criminosa responsabilizou o vereador por irregularidades financeiras ocorridas em 2020. A execução, porém, não teria sido concretizada porque o político teria assumido o compromisso de devolver os valores desviados, sendo posteriormente "perdoado" pela organização criminosa. A informação faz parte das conclusões apresentadas pelos investigadores durante a operação.

As investigações tiveram início justamente após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa Transunião, executado em 2020. Segundo o Ministério Público, a partir desse homicídio foram descobertas evidências de que a concessionária de ônibus teria sido utilizada para movimentar recursos ilícitos provenientes do PCC.

Os investigadores afirmam que existia um núcleo paralelo responsável pelas decisões financeiras da empresa, incluindo transferências de recursos para integrantes da facção criminosa. A apuração também aponta alterações consideradas suspeitas na estrutura societária da empresa, cujo capital social teria saltado de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem justificativa financeira compatível.

A Justiça autorizou uma série de medidas cautelares durante a Operação Última Parada. Entre elas estão o bloqueio de aproximadamente R$ 194 milhões em contas bancárias, o sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações, além do afastamento da diretoria da Transunião e comunicação à Prefeitura de São Paulo para adoção de medidas administrativas sobre a concessionária.

Além de Senival Moura, também foram presos o presidente da Transunião, Jair Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão", e outros investigados apontados como integrantes da estrutura operacional da empresa e da facção criminosa. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e mais de uma centena de mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou conexões entre a Operação Última Parada e outras grandes ações policiais, como as operações Carbono Oculto, Vérnix, Mafiusi e Fim da Linha, todas voltadas ao combate às finanças do PCC e ao uso de empresas para lavagem de dinheiro.

Até o momento, a defesa de Senival Moura afirma contestar as acusações e informou que irá apresentar esclarecimentos durante o andamento do processo. O Partido dos Trabalhadores informou que o caso será analisado por sua Comissão de Ética.

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