Militares teriam atuado na proteção do dono da Transwolff e de representante legal da empresa
Letícia Sales Publicado em 04/02/2026, às 11h10
Três policiais militares foram presos nesta quarta-feira (4) suspeitos de prestar segurança privada irregular para Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, empresário do setor de transportes e apontado pelas investigações como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). As prisões ocorreram durante uma operação conduzida pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo.
Ao todo, a ação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária contra os agentes. Segundo a Corregedoria, os policiais participaram diretamente da gerência e da execução de serviços de segurança pessoal e patrimonial de Pandora. Além disso, também realizavam a escolta de Cícero de Oliveira, apontado como representante legal da empresa Transwolff.
De acordo com os investigadores, o serviço irregular teria sido prestado entre os anos de 2020 e 2024, período que está sob apuração da Operação Fim da Linha. A investigação é conduzida de forma integrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Polícia Militar, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Receita Federal.
A Transwolff e a UpBus estão sob intervenção da Prefeitura de São Paulo desde abril de 2024, após serem alvo da Operação Fim da Linha, que apura a infiltração do PCC no sistema de transporte público da capital. Na ocasião, Pandora e Silvio Luís Ferreira, conhecido como Cebola e sócio da UpBus, tiveram mandados de prisão cumpridos.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Transwolff teria recebido um aporte de cerca de R$ 54 milhões provenientes da facção criminosa, oriundos do tráfico de drogas e de outros crimes, para viabilizar sua participação em licitações do transporte público municipal. Juntas, Transwolff e UpBus operam linhas nas zonas sul e leste da cidade, transportando aproximadamente 700 mil passageiros por dia.