Amigas da vítima e policial que atendeu a ocorrência serão ouvidos pelo Conselho de Justificação da corporação
Letícia Sales Publicado em 11/05/2026, às 09h33
O processo que pode resultar na expulsão do tenente-coronel Geraldo Neto da Polícia Militar de São Paulo será retomado nesta semana com novos depoimentos de testemunhas ligadas ao caso da morte da soldado Gisele Alves, assassinada em fevereiro deste ano.
As audiências acontecem nesta segunda-feira (11) e na quinta-feira (14), dentro do Conselho de Justificação (CJ) da PM, procedimento interno que avalia se o oficial ainda possui condições morais e funcionais para permanecer na corporação.
Entre os depoimentos previstos estão os de três policiais militares amigas da vítima e de um oficial que participou do atendimento da ocorrência no apartamento onde Gisele foi encontrada morta.
Durante as investigações, um primeiro-tenente relatou à Polícia Civil ter achado a cena do crime incomum. Segundo ele, “estranhou esta ocorrência em específico, pois o local estava mais preservado do que o de costume numa situação dessas”.
Já as amigas da soldado descreveram um relacionamento marcado por ciúmes, controle e comportamento possessivo. Nos depoimentos, elas afirmaram que Geraldo Neto monitorava conversas da esposa, controlava suas redes sociais e fazia restrições até sobre maquiagem e perfume.
As testemunhas também disseram que Gisele pretendia se separar após descobrir traições do marido e reforçaram aos investigadores que ela não apresentava sinais ou histórico de comportamento suicida.
Além da acusação de feminicídio, o oficial também é investigado por supostamente tentar intimidar policiais de menor patente durante o atendimento da ocorrência. Parte da abordagem foi registrada por câmeras corporais usadas pelos agentes.
Geraldo Neto está preso preventivamente desde março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista. Ele responde na Justiça comum pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
Segundo o Ministério Público, o tenente-coronel matou a esposa com um tiro na cabeça e tentou alterar a cena para simular suicídio. Laudos periciais apontam que a vítima teria sido segurada antes do disparo.
A defesa nega as acusações e sustenta que Gisele tirou a própria vida após o oficial pedir o divórcio.
O Conselho de Justificação é formado por três coronéis da PM e pode recomendar a expulsão do militar. Caso isso aconteça, o processo seguirá para análise do Tribunal de Justiça Militar, responsável pela decisão final sobre a perda do posto e da patente.
Gisele Alves tinha 32 anos e deixou uma filha de 7 anos.