Trabalho Escravo

Operação resgata grupo mantido em condições de escravidão no Jaraguá

Uma operação da Polícia Militar resultou no resgate de dez pessoas em condições análogas à escravidão em São Paulo

Recentemente, o Ministério Público do Trabalho também resgatou 17 trabalhadores em um restaurante - Imagem: Divulgação / SSP

William Oliveira Publicado em 11/10/2025, às 08h00

Na última sexta-feira (10), uma operação policial resultou no resgate de dez pessoas submetidas a condições análogas à escravidão em uma fábrica localizada no bairro do Jaraguá, na zona norte de São Paulo. Entre os resgatados estava uma adolescente boliviana desaparecida, que foi identificada e reencontrada após dias de buscas pela família.

A ação foi desencadeada após denúncia recebida pela Polícia Militar, que levou os agentes até o local. Ao chegarem, os policiais constataram condições de trabalho precárias, com equipamentos danificados, ambientes insalubres e ausência total de higiene.

O caso foi encaminhado à Polícia Federal, responsável por investigar crimes relacionados ao trabalho escravo e tráfico de pessoas. As autoridades apuram também suspeitas de aliciamento de estrangeiros para atividades ilegais.

Esse episódio não é isolado. Na última terça-feira (7), uma operação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Polícia Civil libertou 17 trabalhadores em um restaurante japonês, também na zona norte da capital paulista.

De acordo com o MPT, os funcionários viviam e trabalhavam no mesmo local, sem registro formal e sob condições degradantes. Camas improvisadas na cozinha, banheiros sujos, paredes mofadas e fiação exposta faziam parte da rotina dos trabalhadores.

Na segunda-feira (6), o Ministério do Trabalho e Emprego atualizou o Cadastro de Empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja do trabalho escravo”. A nova versão inclui 155 novos registros — sendo 101 pessoas físicas e 58 jurídicas — representando um aumento de 20% em relação à lista anterior. O objetivo do cadastro é promover transparência e coibir práticas abusivas nas relações trabalhistas.

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