Operação contra PCC

Operação contra esquema do PCC mira Deolane e sequestra milhões em bens de luxo

Justiça bloqueou mais de R$ 327 milhões, decretou prisões e apreendeu veículos de luxo ligados aos investigados

Investigação começou em 2019 e revelou conexões entre uma transportadora e a lavagem de dinheiro do PCC - Imagem: Reprodução/redes sociais/TV Globo

Letícia Sales Publicado em 21/05/2026, às 09h27

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram nesta quinta-feira (21) uma megaoperação contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. Entre os principais alvos da ação está a influenciadora Deolane Bezerra, investigada por suspeita de envolvimento financeiro com integrantes da facção.

Batizada de Operação Vérnix, a ofensiva resultou em ordens de bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e valores, além do sequestro de 17 veículos — incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões — e quatro imóveis ligados aos investigados. A Justiça também decretou seis prisões preventivas.

Investigação começou dentro de penitenciária

As apurações tiveram início em 2019, após policiais penais apreenderem bilhetes escritos por detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. Os manuscritos continham referências à estrutura interna do PCC, além de possíveis planos contra agentes públicos.

Durante a investigação, a polícia identificou menções a uma “mulher da transportadora”, que teria ajudado no levantamento de endereços de servidores públicos para possíveis ataques articulados pela facção.

As diligências levaram os investigadores até uma transportadora localizada em Presidente Venceslau, posteriormente apontada pela Justiça como peça utilizada para lavagem de dinheiro do PCC.

Ligações com Deolane

Segundo os investigadores, a análise de celulares apreendidos e trocas de mensagens revelou indícios de repasses financeiros para Deolane Bezerra, além de vínculos pessoais e comerciais entre a influenciadora e um dos supostos gestores fantasmas da transportadora investigada.

De acordo com a Polícia Civil, a influenciadora teria exercido um papel importante ao conferir aparência de legalidade aos recursos movimentados pelo esquema criminoso.

Os investigadores afirmam que a projeção pública de Deolane, somada às suas empresas e ao patrimônio ostentado, ajudaria a ocultar a origem ilícita do dinheiro e dificultaria o rastreamento dos recursos ligados à facção.

A investigação também aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada, além de circulação milionária de valores sem comprovação econômica suficiente.

Bens de luxo e movimentações suspeitas

As autoridades identificaram compras e vínculos com imóveis de alto padrão, veículos de luxo e empresas apontadas como utilizadas para movimentar dinheiro sem origem esclarecida.

A quebra de sigilos bancários revelou, segundo os investigadores, um intenso fluxo financeiro sem lastro compatível, além do uso de contas para passagem de recursos e operações envolvendo empresas sem capacidade econômica aparente.

Na nova fase da investigação, a polícia busca aprofundar a análise sobre ramificações empresariais e patrimoniais ligadas ao suposto esquema de lavagem de capitais associado ao PCC.

Segundo as autoridades, o objetivo é desarticular o núcleo financeiro do esquema e interromper a circulação de recursos considerados de origem ilícita.

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