Adiada

Olím cancela sessão do Conselho de Ética e cria tensão e insegurança

Tensão permanece com acusações cruzadas e pedidos de cassação

Olím cancela sessão do Conselho de Ética e cria tensão e insegurança - Imagem: Arquivo Pessoal

Jair Viana Publicado em 09/12/2025, às 19h55

Por Jair Viana

Uma sessão que prometia acirrar ainda mais o clima político na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi suspensa horas antes de seu início pir falra quórum. O presidente do Conselho de Ética da Casa, deputado Delegado Olim (PL), cancelou a reunião marcada para esta terça-feira, 9, que julgaria representações de cassação contra seu colega de partido, o deputado Lucas Bove (PL), acusado de violência contra mulher, as deputadas Mônica Seixas e Paula Nunes, da Bancada Feminista do PSOL. A decisão abrupta adia o desfecho de um embate que envolve acusações de violência doméstica, retaliação política e quebra de decoro parlamentar.

O cancelamento, comunicado formalmente pelo presidente do conselho, adia a análise dos processos que colocam em lados opostos parlamentares da base governista e da oposição. A justificativa oficial para o adiamento ainda não foi detalhada, mas o ato acontece em meio a uma intensa pressão política e sob o risco de o conselho tomar decisões que poderiam alterar a correlação de forças na Casa.

O epicentro da crise

O gatilho da crise foi uma representação protocolada em agosto contra o deputado Lucas Bove, acusado de agressões físicas, verbais e psicológicas contra sua ex-esposa, a influenciadora Cintia Chagas. Apesar de inicialmente arquivado pelo conselho, o caso ganhou novo fôlego em outubro, quando o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a prisão preventiva de Bove por suposto descumprimento de medidas protetivas.

A partir daí, a Bancada Feminista e a Bancada do PT na Alesp, com apoio de outros parlamentares, formalizaram pedidos de cassação do mandato do deputado. O argumento central é que a condição de réu em processo por violência doméstica e o reconhecimento de descumprimento de medidas protetivas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) são “incompatíveis com o exercício do mandato”.

A retaliação

Em resposta, Lucas Bove moveu um contra-ataque no próprio Conselho de Ética. O parlamentar protocolou representações pedindo a cassação dos mandatos da Bancada Feminista do PSOL e da deputada Mônica Seixas. A alegação é de que publicações feitas pelas parlamentares em suas redes sociais, mencionando o caso, configurariam abuso de poder ou quebra de decoro.

Para as deputadas do PSOL, trata-se de uma retaliação clara e um ato de intimidação. “O nosso mandato e o de Mônica estão sendo perseguidos por denunciar decoro parlamentar”, afirmou a codeputada Paula Nunes. “A Justiça já o tornou réu e ele não pode ser um representante do povo em uma Casa Legislativa diante da acusação de violência doméstica”, completou.

Adiamento e a tensão

Com o cancelamento da sessão pelo deputado Delegado Olim, a tensão que se concentraria no plenário do conselho se transfere para os bastidores e para o cálculo político sobre o momento mais adequado para a votação. O adiamento deixa em suspenso um debate sensível, que envolve questões de conduta parlamentar, violência contra a mulher e os limites da liberdade de expressão política.

O desfecho desses processos, quando forem novamente colocados em pauta, tem o potencial de não apenas definir os rumos políticos dos envolvidos, mas também de estabelecer um precedente crucial sobre como a Assembleia de São Paulo lida com processos éticos que se entrelaçam a procedimentos judiciais de alta gravidade. Enquanto isso, a crise aguarda uma nova data para vir à tona.

Lucas Bove Olim

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